Andrea Caldas

política e educação

19 de fevereiro de 2018, 17h32

A ordem consentida e a desordem no Carnaval

Como exigir energia militante para os que estão à busca de emprego ou de fechar as contas no fim do mês?

Viceja, há tempos, em parte da esquerda, a convicção de que não é possível governar dentro da ordem a não ser com muitas concessões.

Em seminário promovido na UFPR, em 1992, com Robert Kurz, um dos debatedores comentou que a esquerda brasileira vivia do trauma do Golpe no Chile e, também, da ditadura militar de 64.

Se consumou uma tese aceita, por quase todos, que para governar era preciso não avançar o sinal.

Foi o que Lula e Dilma fizeram, com seus acordos com o financismo, as empreiteiras e o agronegócio.

E lá se mantiveram, sem nenhuma reforma estrutural, por 13 anos.

O problema é que a direita roeu a corda do acordo e quis ela fazer as mudanças estruturais na ordem celebrada em 88.

A ordem de um ensaio social democrata, no país que só conheceu o “Mal-Estar Social”, no dizer de Chico de Oliveira, depois de muitas emendas constitucionais colaterais deixou de ser confortável para o padrão de acumulação do capitalismo dependente em crise.

Para ser mais exata, 105 emendas até o atual momento, a maioria delas regressiva.

Para a esquerda sobraram duas opções:

– Lutar para manter a ordem ou conclamar a revolução.

Como os dois expedientes não estão carecendo – até o momento – de substrato material para prosseguir, o Carnaval, aquela “alegria fugaz”, virou nosso refúgio.

Que seja assim, porque resistir é preciso.

O problema é quanto do tanto da alegria desta “ofegante epidemia” vai durar.

Vai Passar?

Depende de nós mais do que dos passistas e roteiristas de enredo.

Mas, depende de nós, em circunstâncias concretas.

Quanto podemos resistir e clamar por resistência em tempos que põem em risco a reprodução da existência material?

Como exigir energia militante para os que estão à busca de emprego ou de fechar as contas no fim do mês?

Este é o novo dilema da Esfinge que nos devora, nos tempos presentes.

É preciso resistir para não sermos aniquilados, mas o combustível da resistência é minado na labuta cotidiana.

Este devir é nosso mistério e, felizmente, para nós, a História é mais imprevisível que nossos registros racionais de pessimismo x otimismo.

Que a História se mova, mais uma vez…


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum