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05 de setembro de 2018, 16h15

Para pensar o Sete de Setembro

Hoje, quase duzentos anos depois da Independência do Brasil, as classes dominantes que ainda possuem o domínio sobre os principais meios de comunicação, ainda buscam forjar uma narrativa dos acontecimentos que legitimam os seus feitos

Reprodução/EscolaWeb

Engana-se – e muito – aquele que acha que a independência significava uma ruptura com Portugal. De acordo com a historiadora Cecília Helena de Salles Oliveira, a palavra independência era usada como uma contraposição à “escravidão política”, situação própria do absolutismo. Ou seja, independência não se confundia com emancipação ou autonomia administrativa.

Nesse sentido, a independência poderia ser conquistada mesmo sem o rompimento com Lisboa. O que ocasionou todo o imbróglio em direção a ruptura com a “Mãe-Pátria” foi a Revolução do Porto de 1820, onde surgiu a possibilidade de retrogradar o Brasil a condição de colônia.

Logo surgiu uma historiografia munida de argumentos retóricos que visava convencer a todos de que a monarquia era a melhor forma de governo. Para chamar a independência de revolução, comparou-a com a Revolução Gloriosa e a distanciou da Revolução Francesa. Para se falar de império comparou-se d. Pedro I à Júlio César.

Essa foi uma História escrita a mando do governo. Sempre com o objetivo de excluir os populares. Essa historiografia buscou esconder a participação dos pequenos e médios proprietários fluminenses, assim como a de lavradores e de produtores de pequenos recursos na insurreição contra as decisões da Revolução do Porto.

Essa historiografia atribui às classes dominantes a legitimidade de tocar os rumos da nação já que foram elas que deu ao povo liberdade. Essa interpretação da história excluiu os negros e os indígenas por anos, vendo-os como elementos passivos.

Essa historiografia, projeto de poder legitimador, excluiu as outras partes do país que lutaram no processo de independência, grupos radicais e a participação dos afrodescendentes na Bahia.

Hoje, quase duzentos anos depois, as classes dominantes que ainda possuem o domínio sobre os principais meios de comunicação, ainda buscam forjar uma narrativa dos acontecimentos que legitimam os seus feitos. As grandes corporações midiáticas documentam todos os dias que o problema do país foi o PT e o rombo nas contas públicas e que a solução é privatizar.

Mais uma vez, a exclusão das populações mais pobres e a negação de seus direitos torna-se a maneira mais adequada de enxergar os acontecimentos, legitimando assim a política econômica e social empregada pelo governo que tem como finalidade salvar as fortunas das elites às custas dos mais vulneráveis.

Este Sete de Setembro precisa ser usado para se pensar nestas questões. No projeto de poder das elites iniciado em 2016 e que está a todo vapor, convencendo o povo a sofrer mais uma vez para salvar algo que não é dele, vemos um projeto de nação que visa concentrar as riquezas do país e embrutecer as massas para que essas não pensem em si.

Um Sete de Setembro sem Parada Militar, mas com Parada Popular é o que precisamos. Mostrar para esse discurso econômico da imprensa que é a distribuição de renda que atrai investimento e não a concentração. A distribuição que dará ao povo ferramentas para construir seu micronegócio, que estimulará o consumo interno. A distribuição é a única solução para um projeto de nação que inclua o povo.

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