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22 de janeiro de 2019, 15h55

PCdoB e parte do PT com Rodrigo Maia é a barbárie esquerdista

A reconexão com as bases passa obrigatoriamente pelo abandono das ilusões liberais e da sanha por alguns cargos na burocracia da Câmara

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Não há conjuntura que dê conta de explicar o apoio de setores da esquerda brasileira à candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados. No que diz respeito ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) não se trata de novidade, visto que a legenda apoiou Maia na eleição passada, mas, agora conta com o apoio público de Flavio Dino (MA), governador do Maranhão que está promovendo uma transformação político-social em seu estado. No PT, o apoio a Maia ganhou voz e corpo com Camilo Santana, governador do Ceará. As respectivas justificativas são lastimáveis e podem ser profundamente nocivas no futuro político de ambas as legendas.

Em entrevista à Globo News – ora! Ora! – Dino declarou que, no dia seguinte à eleição da Câmara cada um vai para o seu campo, no caso, PCdoB à esquerda e o PSL à extrema direita do plenário. Mas é preciso dizer: até para o pragmatismo há limite. Vamos supor que a cena fosse ao contrário: o candidato fosse de algum partido de esquerda, os líderes das legendas da direita nacional jamais iriam dar apoio ou ir em rede nacional justificar um possível apoio e aqui caímos no campo da ideologia e do recado que se dá aos movimentos sociais e ou grupos da sociedade que apoiam as legendas. Mas daí eles justificam: “eleição da Câmara não é eleição presidencial”. Essa é a justificativa mais torpe e deprimente que se pode dar. Desde quando os partidos de esquerda (não todos é claro) se resumiram a cargos nas comissões e na mesa diretora?

Camilo Santana, também em entrevista pra Globo News, declarou ser favorável à candidatura de Rodrigo Maia e declarou que a presença do PSL na chapa de Maia não o incomoda. Neste caso chama a atenção o seguinte: a direção do Partido dos Trabalhadores (PT) já declarou que não vai apoiar Maia e estabeleceu diálogo com PSB, PDT e PSOL – este lançou o deputado Marcelo Freixo (RJ) – mas, Santana e outros parlamentares manifestam apoio à candidatura de Maia. Em outros tempos, toda essa gente ia para o comitê de ética do PT. Porém, todavia, o que é preciso ressaltar é o simbolismo de Dino e Santana, dois governadores que já foram rechaçados pelo presidente Bolsonaro – este declarou que o presidente dos governadores do Nordeste está na cadeia, se referindo ao Lula – mas isto parece não ter incomodado e agora vão todos embarcar com Maia, que é o candidato do governo Bolsonaro.

A ideia de uma reconexão com as bases, alardeada pelo PT durante as eleições fica cada vez mais difícil quando os sinais emitidos são tão contraditórios – por que a direção do PT não resolve logo a questão, define a sua posição e assim coloca fim a boatos? A impressão que fica é que há uma indecisão entre apoiar ou não Maia – e afastam a legenda dos novos movimentos.

As direções nacionais do PCdoB e do PT precisam ter em mente que estamos diante de uma troca geracional na base do social do país e que as maneiras de fazer política são recusadas por estes novos grupos. A reconexão com as bases passa obrigatoriamente pelo abandono das ilusões liberais e da sanha por alguns cargos na burocracia da Câmara.

É isso ou a barbárie esquerdista pode ser muito pior do que os sinais emitem.


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