Blindado por governistas, Carlos Bolsonaro cria narrativa sobre “CPI do Lula”

Articulador das estratégias de comunicação governistas, Carluxo busca atrelar o petista a uma conspiração aos moldes do "gabinete paralelo", investigado pela comissão e do qual ele faria parte

Com o sigilo bancário e telemático blindado até o momento por atuação de senadores governistas, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) está empenhado em criar uma nova narrativa sobre a CPI do Genocídio para municiar o “gabinete do ódio” no direcionamento dos ataques desferidos pela milícia virtual bolsonarista.

Nas redes, Carlos Bolsonaro se esforça para ligar o ex-presidente Lula à atuação da comissão que investiga o genocídio cometido pelo pai, Jair, durante a pandemia.

Articulador das estratégias de comunicação governistas, Carluxo busca atrelar o petista a uma conspiração aos moldes do “gabinete paralelo”, investigado pela comissão e do qual ele faria parte.

“Vai começar a cpi do lula, conhecida como cpi do cuvid”, tuitou na manhã desta quarta-feira (9), repetindo a mesma ladainha de um tuite na data anterior com a narrativa, que foi levada à CPI pelo senador governista Jorginho Mello (PL-SC).

“A CPI vai ser isso mesmo. Renan Calheiros e Lula sem máscara dentro de um hospital. Tá aqui [a foto]. Talvez Lula não possa ir pra rua… Fala-se muito do gabinete paralelo. Aqui está o presidente da CPI com Lula e João Doria, diz o Igor Gadelha. A CPI tem um gabinete paralelo também? Vamos parar com esses assuntos! ‘Presidente Lula conversa com G7 da CPI da Covid’. É gabinete pra lá e gabinete pra cá”, disse Mello em discurso.

A estratégia criada por Carlos Bolsonaro é tragar Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto em 2022, para o centro da CPI, onde contaria com a ajuda dos senadores bolsonaristas para uma tentativa de convocação – e escracho – do ex-presidente.

Agora resta saber se Carlos não será tragado antes pela mesma CPI. Vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) estaria apenas esperando um momento mais adequado para determinar a convocação – e não o convite – para o filho de Bolsonaro depor e, assim, iniciar a devassa na participação dele no “gabinete das sombras”, que já matou mais de 467 mil brasileiros.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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