Plínio Teodoro

02 de abril de 2020, 10h58

Burocracia e falta de sistema emperram pagamento de auxílio de R$ 600 a autônomos e informais

Em meio a bravatas e discursos de que pobres morrerão de fome pela crise causada pelo coronavírus, Bolsonaro ainda não começou a pagar o auxílio, aprovado na Câmara no dia 26 de março

Onyx Lorenzoni, Braga Neto e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Aprovado pela Câmara no dia 26 de março e pelo Senado na segunda-feira (30), o auxílio para trabalhadores autônomos e informais, que foi sancionado somente nesta quarta-feira (1º) por Jair Bolsonaro, ainda enfrenta a burocracia e a ineficácia do governo em desenvolver um sistema de cadastro para aqueles que ainda não estão listado em programas sociais, como o Bolsa-Família, antes de chegar ao bolso de cerca de 59 milhões de brasileiros que aguardam o dinheiro para comprar comida.

Em meio a bravatas e apelos emocionais de Bolsonaro – de que a pandemia vai matar muita gente de fome em razão da estagnação econômica -, o ministério da Cidadania, comandado pelo ex-Casa Civil Onyx Lorenzoni (DEM-RS), ainda foi incapaz de desenvolver um sistema para cadastrar as pessoas que vão receber o benefício.

“A pessoa que se encaixa no perfil para receber o auxílio emergencial e não estiver no Cadastro Único poderá fazer uma autodeclaração pela internet em uma solução tecnológica que será divulgada em breve pelo governo”, resume a Secretaria de Desenvolvimento Social em nota sobre a sanção do benefício.

Em vez disso, a secretaria alerta para “fake news” sobre o cadastro, que já teriam roubado dados de milhares de brasileiros que aguardam uma ação do governo.

“O Governo Federal também alerta para as fake news. Sites falsos foram criados e disseminados pelo aplicativo WhatsApp para tentar obter dados dos beneficiários. O recado é para não fornecer dados para qualquer pessoa ou site que fale em nome do benefício”, diz o texto.

O próprio Onyx Lorenzoni implora para que as pessoas “não procurem os bancos ainda”. “Não se dirijam nesse momento nem às agências da Caixa Econômica Federal nem às agências do Banco do Brasil nem aos CRAS. O sistema ainda não está implantado. Vamos anunciar brevemente como será a implementação”.

Além da falta do sistema, o pagamento do auxílio ainda enfrenta a burocracia. Segundo o próprio governo, “após a sanção presidencial nesta quarta-feira (1.04), o Governo Federal vai publicar um decreto para regulamentar o funcionamento do benefício e enviar uma Medida Provisória de crédito extraordinário ao Congresso Nacional para o pagamento do auxílio”. Algo que deveria estar pronto, mas ainda não foi feito.

Bolsonaro sabe que a fome não espera e aposta na convulsão social após instalar uma crise política em meio à pandemia do coronavírus.


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