Plínio Teodoro

31 de janeiro de 2020, 12h37

Carlos Bolsonaro está por trás da fritura de Onyx Lorenzoni na disputa pela Casa Civil

Além de coordenar o banho-maria de Sergio Moro, o "pitbull" do clã Bolsonaro sabe que a vingança é um prato que se come frio e está por trás da tentativa de derrubar o "inimigo" Lorenzoni da Casa Civil

Onyx Lorenzoni com Jair, Carlos e Eduardo Bolsonaro (Arquivo)

Desde que retornou de seu mês sabático no fim de 2019, quando deletou as contas nas redes sociais, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) tem se mantido afastado das polêmicas nas redes sociais.

No entanto, Carluxo atua como 02 não somente na hierarquia entre os filhos, mas também no próprio governo, influenciando diretamente o pai, Jair Bolsonaro, e aquecendo a frigideira para a fritura de qualquer aliado que, segundo ele, não esteja totalmente convertido à doutrina bolsonarista.

Além de coordenar o banho-maria de Sergio Moro, atuando pelo esvaziamento do Ministério da Justiça e do discurso anti-corrupção do ex-todo-poderoso da Lava Jato, o “pitbull” também está por trás da disputa na Casa Civil, influenciando diretamente a exoneração de Onyx Lorenzoni, que pode ser concretizada na tarde desta sexta-feira (31), caso o demista não chore e se humilhe a ponto de receber uma segunda chance do chefe – assim como fez Moro.

Carluxo é amigo de infância do secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira. Ainda crianças, os dois brincavam juntos, enquanto o falecido capitão do Exército, Jorge de Oliveira Francisco, pai de Jorge, assessorava o amigo Jair.

Carlos e Eduardo, que tem o secretário-geral da Presidência como padrinho de casamento, atuaram intensamente durante a transição do governo, em dezembro de 2018, para que Jorge fosse o ministro da Casa Civil.

A briga entre Oliveira e Lorenzoni foi feia. E o ex-deputado, que atuou intensamente na campanha de Bolsonaro, à época levou a melhor, humilhando o amigo de Carlos e Eduardo.

“O senhor sabe que não tem currículo para ocupar essa posição e que está aqui apenas pela consideração que o presidente tem pelo senhor e sua família, não sabe?”, atacou Lorenzoni durante a disputa.

Mas, Carlos e Eduardo sabem bem que a vingança é um prato que se come frio. Nesta semana, Carluxo voltou à Brasília. Se reuniu com o amigo Jorge e ouviu que ele estaria “chateado” pelos ataques que vem sofrendo dentro do governo após ter sido citado por Bolsonaro, o pai, como um dos postulantes à vaga de Celso de Mello, no Supremo Tribunal Federal.

De férias, sem reagir ao vai e vem da demissão de seu número na Casa Civil, Onyx deu a deixa para que o prato frio fosse tirado da geladeira e começasse a ser requentado pelos filhos de Bolsonaro, que viram na inação do demista, a chance de se vingar do ministro da Casa Civil.

A frigideira está no fogão. E o prato será servido nesta tarde. Tic Tac.

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