Com André Mendonça, Bolsonaro leva fundamentalismo cristão ao STF

Fundamentalista, o pastor presbiteriano André Mendonça coloca a Bíblia acima da Constituição e conta com um dos cinco pontos do Calvinismo para livrar Bolsonaro da prisão: a "depravação total"

Jair Bolsonaro (sem partido) tem como primeiro – e principal – compromisso da agenda desta segunda-feira (12) um encontro com o advogado-geral da União, André Mendonça, para selar a indicação dele à vaga deixada por Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia também: André Mendonça: o militante anti-LGBT às portas do STF, por Marcelo Hailer

Nascido em uma família humilde em Santos, no litoral paulista, e criado nas hostes do calvinismo – movimento revolucionário que consumou divergências dentro da Igreja Católica no século XVI -, Mendonça tem como objetivo levar o slogan de Bolsonaro, do “Deus Acima de Todos”, para a Suprema Corte e livrar a cara de seu benfeitor quando ele responder pelos diversos crimes que comete diariamente em seu governo.

André Mendonça mostrou ser o homem certo para Bolsonaro ao pregar a reabertura das igrejas em meio à pandemia durante sua intervenção no STF.

“Verdadeiros cristãos não estão dispostos a matar por sua fé, mas estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”, disse na ocasião, casando o discurso cristão com a defesa da tal “liberdade” cunhada nos porões da Ditadura e que é defendida por Bolsonaro.

Fundamentalista, o pastor presbiteriano coloca a Bíblia acima da Constituição e conta com um dos cinco pontos do Calvinismo para fazer a defesa dos crimes de Bolsonaro: a “depravação total”.

Neste ponto, também chamado de “incapacidade total”, a doutrina da graça do Calvinismo afirma que “todos os homens são concebidos no pecado, e ao nascer como filhos da ira, incapazes de qualquer bem são ou salvífico, e inclinados ao mal, mortos em pecados e escravos do pecado; e eles não querem e nem podem voltar a Deus, nem corrigir sua natureza corrompida, e nem melhorá-la por si mesmos, sem a graça do Espírito Santo, que é aquele que regenera”.

Baseado na Bíblia – e não na Constituição, que lista ao menos duas dezenas de crimes cometidos somente no governo -, Mendonça pretende ungir Bolsonaro, acreditando que ele se livrou de pecados passados, como o enriquecimento espúrio através do sistema de corrupção das rachadinhas ou os ataques às mulheres, negros e homossexuais. Atitudes bem contrárias à doutrina do Cristo judeu, aliás.

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Mendonça, assim como a crença de João Calvino, acredita que Deus escolhe os seus “eleitos” desde a eternidade, não com base na virtude, mérito ou fé previstos para essas pessoas, mas por sua “misericórdia”.

E por “misericórdia” Mendonça fará tudo para livrar a cara do criminoso que o alçará ao topo do Judiciário. Para que possam usar o “deus” que eles creem acima da Constituição. Para fazer do Brasil mais um país fundamentalista e iniciar a perseguição contra aqueles que não foram “eleitos” pelo deus Bolsonaro.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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