Plínio Teodoro

29 de janeiro de 2020, 15h01

Como são criadas as fake news: Eduardo Bolsonaro edita vídeo para atacar Lula

Eduardo aprendeu a fazer politicagem com o pai. Se orgulha disso e segue na mesma trilha, propagando a mentira entre a milícia virtual que lidera para manter seu eleitorado na mesma lama da ignorância onde chafurda

Allan dos Santos e Eduardo Bolsonaro (Foto: Agência Câmara)

A tática de propagar fake news implantada por Steve Bannon na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos foi importada com sucesso pelo clã Bolsonaro para que “seu Jair” fosse alçado ao poder em 2018.

Durante a campanha, a família negava ser adepta da prática e de ter montado uma milícia virtual para disseminação das notícias mentirosas nos grupos de Whatsapp.

Ao chegar ao poder, o disfarce não é mais necessário e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) dá um exemplo prático nesta quarta-feira (29) sobre como são criadas as fake news.

O deputado edita de forma grotesca um vídeo de entrevista de Lula ao jornalista José Trajano, interpretando a fala a seu bel prazer e desferindo ataques gratuitos ao ex-presidente, simplesmente para incitar a horda de bolsonaristas a criarem mais um factoide – disseminados por seu protegido, Allan dos Santos, que surta ao ser convocado para depor no STF.

No vídeo, Lula fala da usurpação das empresas públicas com a política privatista de Paulo Guedes no ministério da Economia. “Você não vê ele dizer a palavra crescimento, a palavra desenvolvimento. Ele só fala em vender. Eu quero vender. Eu quero vender. Ele deveria ser presidente de uma associação de mascate e nunca ser ministro da Fazenda, porque ele não tem criatividade, ele não pensa. Como é que pode? Quando ele vender tudo, como é que a gente vai arrumar dinheiro?”, diz Lula, quando o vídeo é cortado.

“Luladrão se entrega pela boca”, escreve o filho de Jair Bolsonaro, complementando que “privatizando estatais haverá menos espaço para a roubalheira do PT, caso eles voltem um dia”, insinuando que Lula estaria se referindo ao dinheiro próprio e não do Estado.

Eduardo ainda baixa o nível, dizendo que “dessa vez ele nem parecia bêbado, como esteve antes de ser preso (aquela garrafinha de água batizada 😉)”, como se fosse um poço de integridade.

Eduardo aprendeu a fazer politicagem com o pai. Se orgulha disso e segue na mesma trilha, propagando a mentira entre a milícia virtual que lidera para manter seu eleitorado na mesma lama da ignorância onde chafurda.

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