De plebiscito à ação de militares: Decisão sobre Lula faz grupos bolsonaristas orquestrarem ações contra STF

A notícia caiu como um banho de água fria e muitos apoiadores de Bolsonaro não disfarçaram a decepção e o medo diante de um cenário de disputa eleitoral em 2022

A decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), incendiou os grupos bolsonaristas no Whatsapp e Telegram, que voltaram a orquestrar ações para fechamento da corte desde a tarde desta segunda-feira (8) quando o sentença foi divulgada.

Em princípio, a notícia caiu como um banho de água fria e muitos apoiadores de Bolsonaro não disfarçaram a decepção e o medo diante de um cenário de disputa eleitoral em 2022.

Logo após, as estratégias começaram a divulgadas, baseadas em quatro pilares: fechamento do STF ou troca dos ministros, ligação de Fachin com Lula e o PT – impulsionado pela declaração de Bolsonaro -, convocação de atos nas ruas, além de desencadeamento de uma ação para culpar Lula e os governos petistas pelas mortes pela Covid-19.

Essa última ideia mistura alhos com bugalhos, ao tentar atrelar o genocídio provocado pela inação de Bolsonaro à falta de leitos no sistema de saúde público, que seria culpa do investimentos em estádios da Copa do Mundo.

Plebiscito e militares
Em meio às manifestações contra Fachin e o STF, os bolsonaristas sugeriram duas estratégias. A primeira foi pela pressão dos militares para fechamento da corte – com memes aludindo ao pedido feito pelo então ministro da Edução, Abraham Weintraub, na fatídica reunião de abril de 2020.

Diante do alerta de alguns, os bolsonaristas então partiram para uma segunda estratégia no grupo “Exército de Bolsonaro”, que reúne mais de 41 mil membroes e é divulgado pela conta oficial de Jair Bolsonaro no Telegram: o pedido de um plebiscito para “retirada de todos ministros do STF e colocar juízes concursados e com mandado de 10 anos”. A petição já contava com mais de 100 mil assinaturas por volta das 11h desta terça-feira (9).

No grupo ainda foram convocados atos nas ruas para pedir o fechamento do STF e em apoio a Bolsonaro.

Em determinado momento, já no fim da manhã desta terça, a ordem era para que se parasse de falar no “sapo barbudo” e voltar as atenções ao apoio a Bolsonaro. Mesmo assim, muitos bolsonaristas não conseguiam disfarçar a frustração com a decisão de Edson Fachin.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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