Plínio Teodoro

31 de dezembro de 2019, 17h46

Empatia, solidariedade e uma receita para vencer o ódio em 2020

Olhando do espaço é fácil entender como somos um. Um planeta - redondo - que respira e que tem cada um de nós como parte de um único sistema vivo, embora cambaleante pela cobiça de poucos que buscam na violência e no ódio uma forma de se sustentar no topo da pirâmide do ter. E que nada são

Terra vista do espaço (Foto: Nasa)

O ano de 2019 nos mostrou que muitas veias continuam abertas – e não só na América Latina. Travestido em uma roupagem pretensamente democrática, o autoritarismo financeiro e das transnacionais ergueu novos totens mundo afora e causou cisões nos países, na sociedade, nas famílias e nos indivíduos.

As políticas neoliberais encontraram vazão na cultura de ódio apoiada em um conservadorismo austero, representado pretensamente em um “deus” branco, raivoso, que faz da defesa de uma ilusória doutrina judaico-cristã o pretexto para propagar preconceitos e classificar como inimigos quaisquer que se recusarem a adorar seus “bezerros” de ouro. Um conservadorismo preso a um passado onde a barbárie imperou.

Nesse culto ao passado, escaras do racismo, do machismo, da misoginia, da intolerância racial e social, da homofobia, entre tantas outras, foram rompidas e provocaram uma epidemia em mal curadas de milhares de pessoas que temem qualquer ação que abra caminhos para que possamos sair da inércia onde o ter prevalece sobre o ser.

Mas, a vida é movimento. E todo processo de mudança na sociedade inicia-se no indivíduo. Em alguém que não acredite em regras imutáveis, naquilo que um dia disseram que seria “a verdade”. Que questiona. E cria laços com outros indivíduos para romper as estruturas da opressão e da intolerância.

O passado mesmo está recheado de exemplos. É assim que a roda da vida se mantém em nosso planeta – redondo! – que esta noite completa mais 365 voltas em torno do sol.

Olhando do espaço é fácil entender como somos um. Um planeta que respira e que tem cada um de nós como parte de um único sistema vivo – embora cambaleante pela cobiça desses poucos que buscam na violência e no ódio uma forma de se sustentar no topo da pirâmide do ter. E que nada são.

Nesse 2020 precisamos cultivar nossa indignação em um exercício de empatia. De se colocar no lugar do pobre, do negro, do desempregado – ou do “empreendedor” no novo sistema feudal de exploração pelos aplicativos -, da mulher e de tantos que ainda vivem às margens da sociedade.

Precisamos nos colocar também no lugar do opressor, daqueles que cultivam o ódio e a intolerância, para que possamos eliminar em nós cada ferida que ainda resta desse passado de barbárie que, sim, ainda ecoa dentro de cada ser.

Nesse ano inteirinho que se inicia devemos criar – ou refazer – laços, aprender com as diferenças e buscar caminhos juntos para vencer, com amor, a cultura do ódio.

Que nessa data, quando realmente sentimos que o tempo passa, possamos projetar nossa visão do espaço e ver que somos um. E que para continuarmos respirando precisamos exercitar nossa empatia e nossa solidariedade.

Que possamos, juntos, fazer um feliz ano novo!


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