Plínio Teodoro

23 de abril de 2020, 15h13

Entre frituras e humilhações, Moro provou do próprio veneno na velha política de Bolsonaro

Moro mostrou que entende tanto de política quanto se mostrava entender de Justiça e foi jantado aos poucos por Bolsonaro, que se lambuzou o quanto pode de sua popularidade para embasar seu torto discurso de combate à corrupção

Protestos contra Bolsonaro e Moro no Carnaval 2020 (Montagem)

Alçado pela mídia ao posto de super star do combate à corrupção ao se colocar como algoz do ex-presidente Lula, o ex-juiz Sergio Moro provou do próprio veneno ao entrar de vez para a política vestindo a camisa do bolsonarismo.

Antes mesmo de ser escalado para o cargo com status de “super ministro”, Moro deu suas últimas cartadas contra Lula e abriu caminho para a eleição de Bolsonaro ao levantar sigilo do depoimento do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas do primeiro turno das eleições.

Ao aceitar vestir a camisa verde-oliva e amarela do governo Bolsonaro, pensou que aguentaria ao menos dois anos à frente do Ministério da Justiça antes de ganhar seu prêmio prometido: uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas, Moro mostrou que entende tanto de política quanto se mostrava entender de Justiça e foi jantado aos poucos por Bolsonaro, que se lambuzou o quanto pode de sua popularidade para embasar seu torto discurso de combate à corrupção.

A exoneração de Maurício Valeixo, uma das peças principais do xadrez lavajatista em Curitiba, foi ameaçada por Bolsonaro mais de uma vez. A primeira delas pela investigação que corria na PF do Rio de Janeiro sobre Flávio Bolsonaro, que bateu também na porta do “irmão”, Hélio “Negão Bolsonaro” Lopes.

Moro, desde então, começou a viver uma rotina que variava entre humilhações públicas e frituras dentro do próprio governo. De super ministro, tornou-se inimigo interno e empecilho para os planos ditadoriais do clã – que teme que Moro saia como o anti-Bolsonaro em 2022.

Moro sempre fez política no Judiciário. Ao travestir-se do bolsonarismo e entrar para a politicagem, provou do próprio veneno. A demissão pedida ainda pode (e deve) ser revertida, diante da falta de perspectiva tanto de Moro sem Bolsonaro, quanto de Bolsonaro sem Moro. E os dois se merecem.

No entanto, revela que ao entrar no jogo partidário e aberto da política, Moro morre como super star da corrupção pelo próprio veneno que nutre contra seus adversários. E morre como um rato.


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