Plínio Teodoro

27 de fevereiro de 2020, 06h40

Folha, O Globo e Estadão criticam apoio de Bolsonaro a “golpismo de extrema direita” em editoriais

Patrocinadora do golpe de 2016, a tríade dos jornais das famílias Marinho, Frias e Mesquita mostra-se arrependida ao ver o "golpismo de extrema direita" colocar em marcha o plano de implantar uma nova ditadura no Brasil

Bolsonaro dá uma banana para jornalistas na portaria do Palácio da Alvorada (Reprodução)

Linha auxiliar no golpe parlamentar de 2016, a tríade composta pelos jornais das famílias Marinho, Frias e Mesquita – esta última agindo à mercê do sistema financeiro e de parte do empresariado paulista – soou uníssona em seus editoriais contra a convocação de Jair Bolsonaro ao ato de “golpistas de extrema direita”.

Usando de sua costumeira desfaçatez, O Globo diz que Bolsonaro tem “biografia conhecida com um perfil de extrema direita” e creditou sua eleição em 2018 ao “desastre ético lulopetista e pela teimosia do ex-presidente Lula em continuar dono do PT”, se eximindo de sua grande responsabilidade no processo que alçou o capitão ao poder.

Em seu editorial, O Globo lamenta a “escalada de mau comportamento e de desrespeito”, que pode afetar – sempre elas – as reformas neoliberais na economia, conduzida por Paulo Guedes com o apoio irrestrito da família Marinho.

O texto diz que com a convocação do ato, Bolsonaro remonta a “fórmula de mais uma tragédia nacional, em um país que já padeceu duas longas ditaduras na República e aprovou o impeachment de três presidentes”, sinalizando que o tempo do capitão para entregar o que prometeu aos neoliberais está se esgotando.

O Globo erra, inclusive, na história factual: foram quatro presidentes depostos pelo Congresso: Dilma Rousseff, Fernando Collor e, em 1955, Café Filho e Carlos Luz (presidente interino golpista por três dias).

Já os dois jornais paulistanos citam as “estocadas” recorrentes de Bolsonaro contra a democracia e pedem uma “resposta firme e inequívoca às provocações”.

Para a Folha, Bolsonaro “pôs fogo na fervura de movimentos extremistas que planejam manifestar-se no próximo dia 15”.

“Na tentativa de promover o ato, a escória do bolsonarismo difunde mensagens de ataque e insulto ao Congresso Nacional e de exaltação a oficiais militares, um apelo a sua intervenção. Trata-se de golpismo de extrema direita, francamente minoritário no país”, diz o jornal da família Frias, ressaltando que “apenas o medo do impeachment possa deter a perigosa aventura Bolsonaro”.

Já o Estadão diz que não se surpreende com a “nova estocada do bolsonarismo contra o Congresso”.

“Se aceitar essa associação, ou, pior, se incentivá-la mesmo indiretamente, Bolsonaro estará corroborando as violentas críticas que esses apoiadores, em claro movimento golpista, estão fazendo contra o Congresso, tratado nas redes sociais bolsonaristas como ‘inimigo do Brasil'”, diz o editorial.

O Estadão ainda fala da apropriação do termo “povo brasileiro” por bolsonaristas para justificar as investidas autoritárias para colocar em marcha uma nova ditadura no país.

“‘Povo brasileiro’, parece claro, é o nome que Bolsonaro dá a seus seguidores – que, segundo o próprio presidente, são ’35 milhões em minhas mídias sociais’. É a estes que Bolsonaro jura lealdade, embora tenha sido eleito para governar a Nação dentro das normas democráticas”, diz o Estadão.

A tríade golpista da imprensa soa arrependida em relação à aventura que patrocinaram e aos gritos que bradaram e que levaram Bolsonaro ao poder.


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