Globo ataca Lula em editorial e estreia nas eleições 2022

Assim como cobra de Lula - que na economia já afirmou que não seguirá a cartilha neoliberal -, a Globo deveria ser mais explícita em seu plano de tentar novo golpe para eleger Moro ou Dória, já que agora desdenha do governo protofascista que ajudou chegar ao Planalto

Enquanto William Bonner fazia críticas a Jair Bolsonaro (PL) em editorial no Jornal Nacional na noite desta quinta-feira (6), os irmãos Marinho, donos da Globo, tramavam a estreia nas eleições 2022 ecoando o pânico neoliberal sobre um antigo alvo: Lula.

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Em editorial raivoso na edição do jornal O Globo desta sexta-feira (7), a família Marinho faz uma defesa enfática da política econômica neoliberal retomada a partir do golpe parlamentar de 2016 para atacar os elogios de Lula à revisão da reforma trabalhista implementada por Pedro Sanchez na Espanha.

O Globo se refere ao artigo em que o ex-ministro Guido Mantega cita dados que confrontam o crescimento pífio da economia com o desmonte do estado a partir do golpe, comparando com o crescimento médio de 3,5% ao ano entre 2003 e 2014, além de dados com a redução da dívida pública, aumento das reservas e redução da pobreza.

“Mantega também deu a entender que a volta de Lula representaria o desmonte dos avanços na legislação trabalhista implementados desde o governo Michel Temer e o abandono definitivo do teto de gastos, âncora fiscal que permitiu reduzir os juros”, diz o Globo, sem vergonha de mostrar o apoio ao golpe.

Já um tanto envergonhado, o jornal da família Marinho cita o governo Itamar Franco – e não FHC, como gosta de bradar comumente – como marco dos “ganhos de renda dos mais pobres atribuídos aos petistas”.

O Globo tem até mesmo a desfaçatez de atacar as políticas que permitiram que o Brasil desenvolvesse a indústria naval em torno da Petrobras, que gerou milhares de empregos principalmente no Nordeste, que começaram a ser destruídos pela Lava Jato e chegaram ao fim com a chegada de Paulo Guedes ao ministério da Economia de Jair Bolsonaro (PL).

Guedes, aliás, que é poupado nos editoriais em que a Globo busca se contrapor ao governo protofascista de Bolsonaro, eleito em grande parte pela dedicação da emissora em destruir a imagem de Lula e do PT, com centenas de horas de exposição do lawfare, que foi comprovado até mesmo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na parcialidade de Sergio Moro.

Moro que deixou a Lava Jato para se tornar “super” ministro da Justiça de Bolsonaro e voltou aos braços dos Marinho em busca de se vestir como o candidato moderado da “terceira via”.

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Assim como cobra de Lula – que já afirmou que não seguirá a cartilha neoliberal -, a Globo deveria ser mais explícita em seu plano de tentar um novo golpe ao trabalhar para eleger Moro ou Dória, já que agora desdenha do governo protofascista que ajudou chegar ao Planalto.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.