Plínio Teodoro

17 de fevereiro de 2020, 10h01

Globo se alinha a Bolsonaro e ataca greve dos petroleiros

Como sempre e pelo motivo pelo qual foi criada em 1965 na ditadura militar, a Globo defende interesses da economia neoliberal do sistema financeiro, mesmo que tenha que dar as mãos a quem a considera como inimiga

Foto: Divulgação/TV Globo

Considerada inimiga por Jair Bolsonaro, mas aliada na pauta da política econômica neoliberal, a Globo deu início nesta segunda-feira (17), em editorial do jornal O Globo – porta-voz político da família Marinho – aos ataques à greve dos petroleiros, diante do fracasso de tentar esconder a paralisação sabotando o movimento com a cobertura de seus veículos de mídia.

No texto, a Globo classifica a greve dos petroleiros como política e manobra para ligar a paralisação ao PT.

“Filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do Partido dos Trabalhadores, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) decretou greve “por tempo indeterminado” nas instalações da Petrobras”, começa o texto, tentando minizar a adesão, que já conta mais de 100 unidades da Petrobras.

Na torcida pela privatização da petrolífera estatal desde os tempos de FHC, a família Marinho se limita a atacar o movimento grevista, dizendo que se trata do uso de “um direito constitucional como instrumento de luta de uma coalizão partidária, cuja característica é estar na contramão de toda e qualquer iniciativa que objetive a recuperação da economia nacional”, em claro alinhamento à política neoliberal de entrega do patrimônio público comandada por Paulo Guedes.

A Globo ainda recorre a outro pupilo, o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e à Lava Jato para embasar seus ataques.

“Às revelações da Operação Lava-Jato sobre os saques ao patrimônio da Petrobras e do seu fundo de pensão, a Fundação Petros, a federação dos petroleiros reagiu quase sempre alinhada à defesa do governo petista”, diz o texto.

Como sempre e pelo mesmo motivo pelo qual foi criada em 1965 para apoiar a ditadura militar, financiada pelo grupo estadunidense Time-Life, a Globo vira seus canhões contra o projeto de soberania nacional e se alia até mesmo aos que a considera inimiga para defender a retomada da política econômica atrelada aos mesmos atores do sistema financeiro nacional a quem presta continência desde que foi fundada.

As críticas da Globo mostram apenas que o movimento grevista dos petroleiros, que ganha a importante adesão dos caminhoneiros nesta segunda-feira (17), está no caminho certo, ao defender os interesses da Petrobras contra os achaques das petrolíferas controladas pelos bancos transnacionais. Os mesmos atores que financiam há décadas as mordomias da família Marinho.


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