Guedes e Bolsonaro fazem reforma da previdência macabra com genocídio durante a pandemia

Após fracassar na imposição da previdência privada, Guedes e Bolsonaro insistem no genocídio pandêmico que já teria gerado uma economia de mais de R$ 3,2 bilhões anuais ao governo ao custo da morte de quase 250 mil aposentados

Mesmo usando mais de R$ 8 bilhões em emendas e distribuindo cargos no segundo escalão para compra de votos no Congresso Nacional, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes não conseguiram, ainda na era pré-pandêmica, fazer a reforma da previdência dos sonhos do sistema financeiro.

A expertise adquirida com os Chicago Boys que atuaram na ditadura Pinochet não foi suficiente para que Paulo Guedes, à época, convence$$e um Congresso, que ainda titubeava em embarcar no bolsonarismo, a empurrar goela abaixo o amargo remédio do modelo chileno da previdência privada, que faz com que os idosos trabalhem até morrer ou mesmo se matem para não mais trabalhar, em uma elevada taxa de suicídio na terceira idade.

Sem entregar a aposentadoria aos bancos, chegou a pandemia. E, com ela, a oportunidade de Guedes e Bolsonaro concretizarem o sonho da reforma da previdência própria de uma maneira macabra, bem congruente com a cultura de morte que o presidente carrega por onde passa.

Um tuíte publicado na terça-feira, dia 6, pelo economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2007 a 2012, me saltou aos olhos.

“Outro efeito da Covid-19 sobre a demografia brasileira refere-se à inflexão na expectativa média de vida frente ao aumento do número de mortos. Com isso, as tábuas de previdência social sofrem regressão inimagináveis, contendo a demanda de recursos”, dizia Pochmann, ao falar sobre a uma possível alteração da curva populacional, para o negativo, conforme prevê nesta quarta-feira (7) o neurocientista Miguel Nicolelis no El País – e que já virou realidade, conforme reportagem de Luísa Fragão nesta Fórum.

Troquei mensagens com o professor Pochmann, que esmiuçou: “seja em relação aos aposentados que morrem antecipadamente pela Covid-19 ou os que estariam próximos a se aposentarem, já que a reforma postergou o avesso, seja porque a longevidade mexia de se viver no Brasil tende a diminuir”.

A conclusão é que, o que Guedes buscou, ao tentar entregar a aposentadoria dos brasileiros aos bancos – forçando o aumento na taxa de suicídios dos idosos -, Bolsonaro conseguiu com a pandemia do coronavírus: criar uma reforma da previdência macabra.

Segundo estimativa do site Poder 360, 74,2% das vítimas da Covid-19 têm mais de 60 anos de idade – o que, em tese, os coloca em situação de aposentados ou prestes a iniciar os provimentos do Instituto Nacional de Seguro Social.

Com os números deste fatídico 6 de abril – quando o Brasil ultrapassou as 4 mil mortes diárias pela Covid-19, chegando à casa dos 337 mil óbitos -, a inação de Bolsonaro diante da pandemia já assassinou 249.380 idosos.

Em contas simples, com a morte desses idosos – estimando que cada um deles teria direito a receber um salário mínimo, de R$ 1.100 por mês pela vida toda de trabalho -, Guedes e Bolsonaro já estariam economizando R$ 274.318.000 por mês.

No total, o genocídio pandêmico de Bolsonaro proporcionou ao ano um total de R$ 3.291.816.000 em economias ao governo com sua macabra reforma da previdência.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.