Plínio Teodoro

19 de dezembro de 2019, 17h57

Mais do que Flávio e Queiroz, Bolsonaro sabe quem comanda o esquema de corrupção no clã

Bolsonaro sabe também que no meio onde construiu sua carreira política com um discurso falso moralista e o jargão de que "bandido bom é bandido morto" cobra-se um alto preço pela falta de lealdade, traição e por se deixar antigos aliados pelo caminho

Bolsonaro com antigos aliados em momentos de descontração (Reprodução)

Jair Bolsonaro sempre foi protagonista no picadeiro da velha política brasileira. Como raposa do baixo clero por quase 30 anos sabia de todas as técnicas e artimanhas para corromper as estruturas. E, pela baixa produção legislativa, teve muito tempo para isso.

A prática da “rachadinha”, de se contratar funcionários fantasmas para “rachar” os salários pagos com os recursos permitidos para investimento em equipe técnica nos gabinetes, é tão antiga quanto a politicalha brasileira.

No meio sempre houve um compadrio para se tolerar o crime, assim como é feito com o nepotismo nas diversas estruturas de poder, em todas as instâncias do legislativo, executivo e judiciário.

No entanto, as revelações da organização criminosa – segundo os promotores do Rio de Janeiro – que praticava esse tipo de corrupção sob a batuta de Flávio Bolsonaro jogam luz a um canto sombrio no porão que abriga o passado do clã presidencial.

Alçado à política após uma carreira militar fracassada, Bolsonaro usou seu discurso de “bandido bom é bandido morto” e sua conduta estapafúrdia calcada em um falso moralismo para ganhar aplausos e atrair apoio de pessoas da mesma laia.

Vendo que isso rendia muito dinheiro – bem mais do que dividendos políticos e sociais – usou a popularidade e os contatos para lançar os filhos à mesma carreira. E, segundo conversas pelo Whatsapp do próprio Queiroz reveladas pelo Ministério Público, fez questão de fazer um “pente fino” nos funcionários e familiares quando viu a possibilidade concreta de vencer a eleição em 2018.

Bolsonaro sempre foi um personagem de si. Tem em Queiroz um fiel escudeiro há décadas. E deu a ele a função de tocar esse esquema de corrupção no clã – até demiti-lo há 15 dias do segundo turno das eleições e escondê-lo na comunidade de Rio das Pedras, comandada por milicianos sob as armas do Escritório do Crime.

Mais do que Flávio, Bolsonaro – que já havia “empregado” no próprio gabinete o ex-sogro, a ex-sogra e a filha de Queiroz, que davam expediente tal como a Wal do Açaí – sabe quem comanda esse esquema de corrupção de rachadinha no clã.

Por isso, em seu pente fino na organização criminosa, deixou até mesmo o amigo e braço direito, diagnosticado com câncer, no caminho.

Porém, entre aqueles que compraram seu discurso e sua conduta, que lhe rendeu tamanha popularidade e permitiu que chegasse à presidência, cobra-se um alto preço pela traição e falta de lealdade. Bolsonaro também sabe disso, tanto quando Queiroz e Adriano Nóbrega, chefe do Escritório do Crime.

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