Plínio Teodoro

20 de fevereiro de 2020, 12h12

Mídia corporativa e o que lhe cabe deste latifúndio fascista de Bolsonaro

Embora dependam substancialmente da propaganda estatal, muitas vezes obtidas por meio da chantagem política, as famílias que comandam os grandes veículos teimam em rezar pela cartilha neoliberal que agora se alia ao fascismo

Bolsonaro dá uma banana para jornalistas na portaria do Palácio da Alvorada (Reprodução)

A cova rasa em que Bolsonaro tenta enterrar o que resta de credibilidade da mídia corporativa foi cavada em grande parte pelas próprias famílias que controlam o circo midiático neoliberal no país, que não se conformam com o que coube a elas neste latifúndio fascista que ajudaram a construir.

Criada para dar suporte à ditadura que buscava implantar o mesmo cabresto liberal na economia brasileira, a Globo fez vista grossa ao visível e presumível apoio do sistema financeiro e das transnacionais ao golpe de 2016 e, mais tarde, a Jair Bolsonaro.

A intenção sempre foi clara, de retomar o projeto de privatização da Petrobras e reimplantar o neocolonialismo “Doutrina Monroe” no país – frustrado sequencialmente nas urnas pelas derrotas de seus representantes “democráticos” ligados ao tucanato.

Embora dependam substancialmente da propaganda estatal – em 2013, cerca de 25% do lucro líquido de R$ 2,5 bi da Globo vieram dos governos -, muitas vezes obtidas por meio da chantagem política, as famílias que comandam os grandes veículos teimam em rezar pela cartilha neoliberal, escalando e promovendo “especialistas” que sustentam teses esdrúxulas, como da reforma da Previdência e das privatizações de estatais estratégicas, para cavucar a própria cova.

Usando o mesmo “anticomunismo” como “filtro” de controle, que alçou os militares ao poder em 1964 – ver Noam Comsky -, a mídia corporativa promoveu o massacre do campo progressista, na figura do ex-presidente Lula, para estender o tapete e minimizar o fascismo autoritário que acompanhou Bolsonaro por quase três décadas no parlamento, vendendo a velha raposa como nova política.

Ao lado do sistema financeiro, acreditava que escalando um “Posto Ipiranga” neoliberal diante de um ignorante confesso na Economia, conseguiria controlar seu ímpeto autoritário e usurpar o que resta das riquezas do País sem abrir antigas feridas e provocar novas entre os milhões de brasileiros dos quais são parte.

Acreditavam que podiam dar uma roupagem democrática ao fascismo sem precisar vestir a carapuça.

Agora, buscam se fazer ouvir por meio de surtos editoriais diante da possibilidade do descarte do ultraliberalismo de Paulo Guedes – usando os ataques de Bolsonaro a Patrícia Campos Mello como pretexto -, o único fio que os une ao fascismo.

Bolsonaro age na Presidência como sempre agiu na política, criando conspirações e atacando inimigos, muitas vezes imaginários. Criando cizânia para surgir como Messias.

Silvio Santos, Edir Macedo e Marcelo Carvalho entenderam o jogo, compactuam e não abrem a boca com a “terra” dada.

Enquanto isso, Marinhos, Frias e Mesquitas esperneiam diante do que lhe resta desse latifúndio, na terra que sempre queriam ver dividida.


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