Mutação do coronavírus no Amazonas leva mais jovens e crianças a quadros graves da Covid-19

Segundo pesquisador, doença está com "um comportamento estranho" e tem levado "muitos jovens e crianças a ficarem [em um estado] mais grave" do que na primeira onda

A mutação do coronavírus que levou à segunda onda da Covid-19 em Manaus está intrigando pesquisadores. Segundo informações obtidas pela Fórum com pesquisadores, que pediram anonimato por medo de represálias, o comportamento do vírus é diferente de outras variações já detectadas e causa infecções mais graves, atingindo jovens e crianças.

“Está pior que antes. Houve pequenos surtos em nichos e agora aumentou absurdamente. O sistema (de saúde) estava com um plano de contingência preparado e teve que adotar o que faria em um mês em poucos dias”, diz um dos cientistas que atuam na análise da mutação.

Segundo ele, a doença está com “um comportamento estranho” e levando “muitos jovens e crianças a ficarem [em um estado] mais grave” do que na primeira onda, que atingiu principalmente uma população mais idosa.

Outra constatação é que a mutação do coronavírus tem um ciclo ainda mais longo e ataca muitas vezes de surpresa. “Tem gente tendo hipóxia silenciosa e outras complicações muito depois daquele período crítico, do sétimo ao 12º dia. Há relatos de hipóxia silenciosa no 18º dia”, afirma um pesquisador, relatando um ciclo incomum da doença, que geralmente durava 14 dias – período em que era proposta a quarentena aos infectados.

Em setembro, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu alerta sobre a chamada hipóxia silenciosa causada pela Covid-19, que se caracteriza pelo baixo índice de oxigênio no sangue sem que o paciente se queixe de falta de ar. À época, a SBI falava na ocorrência da complicação por volta do sétimo dia.

“O primeiro sinal da hipóxia silenciosa ocorre por volta do sétimo dia de sintomas. Se ela for detectada logo nos primeiros sinais de sua manifestação, há boas perspectivas de tratamento. O desafio, então, consiste em realizar esta aferição constante da oxigenação sanguínea, o que pode ser feito através do oxímetro”, afirmava a nota distribuída a época.

No comunicado, a SBI já alertava sobre a hipóxia e também sobre necessidade de “garantir a aquisição dos oxímetros digitais para comunidades carentes”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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