Plínio Teodoro

04 de março de 2020, 11h27

O choro é livre: Guedes apela ao MBL por promessa ao “PIB”, que sabe que não vai cumprir

Ao chorar em encontro com movimentos golpistas, ministro sabe que não vai cumprir o que prometeu ao sistema financeiro e a Bolsonaro. E o pibinho mostra que o fim da era Guedes se aproxima

Paulo Guedes no Instituto Milleniun (Arquivo)

A saída de Paulo Guedes já tem data prevista. Nesta terça-feira (3), o ministro chorou em encontro com movimentos golpistas – como o MBL e Nas Ruas – depois que Bolsonaro lhe deu o prazo de 15 meses para cumprir a agenda neoliberal que prometeu ao sistema financeiro e, ao mesmo tempo, alavancar a economia na tentativa de assegurar um segundo mandato ao capitão.

Acontece que, ao se colocar como tutor do ignorante confesso em economês no acordo que o sistema financeiro e grande parte do PIB fez para eleger Bolsonaro, o posto Ipiranga se colocou entre a “cruz” eleitoreira do capitão e a “espada” devastadora da política neoliberal

O Pibinho de 2019, de 1,1%, divulgado há pouco explica em grande parte o choro desesperado de Guedes – que deve ter acesso a números ainda mais escabrosos – aos neoconservadores que tomaram as ruas pedindo para que lhe fossem tirados todos os direitos, patrocinando o golpe contra Dilma Rousseff.

A conta não fecha. Ou o Estado age como indutor da economia para alavancar o setor privado e gerar empregos ou se implanta à ferro e força as políticas neoliberais, tendo como resultado o aprofundamento da recessão, que gera insatisfação entre eleitores e empresários realmente nacionalistas.

Para preparar as privatizações, o Estado está promovendo demissões em massa de trabalhadores que inflam ainda mais as taxas de informalidade, que já passam dos 50% da força de trabalho em muitos estados.

A reforma da Previdência e o avanço sobre direitos trabalhistas, tanto da esfera privada quanto da estatal, vão gerar em pouco tempo uma crescente insatisfação na base de apoio a Bolsonaro.

Por fim, o processo de liberalização econômica sem contrapartida vai atingir em cheio o já convalescente setor produtivo brasileiro. Aos poucos, a ficha vai caindo também entre parte dos empresários da Fiesp, na maioria tão ignorantes quanto Bolsonaro em matéria econômica.

Guedes sabe o resultado da equação em que foi colocado para assegurar que Bolsonaro chegasse ao poder. E conhece também a máxima do marqueteiro James Carville, que levou o então pouco conhecido candidato democrata Bill Clinton à vitória contra George Bush, então favorito, nas eleições presidenciais de 1992 com os Estados Unidos em meio a uma recessão.

“É a economia, estúpido!”. Tic tac.


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