Plínio Teodoro

22 de janeiro de 2020, 07h11

O Globo, Folha e Estadão se calam sobre denúncia contra Glenn e destacam Regina Duarte em editoriais

Enquanto o conselho editorial do The New York Times denuncia a ameaça à liberdade de imprensa na denúncia contra Glenn, O Globo faz a esdrúxula comparação: "A melhor alternativa para a cultura seria equiparar Regina Duarte a Paulo Guedes"

Glenn Greenwald (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Enquanto no mundo os principais veículos de mídia e jornalistas repercutem e classificam como ameaça à liberdade de imprensa a denúncia do procurador Wellington Oliveira contra o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, no Brasil os três maiores jornais se calaram em seus editoriais, preferindo comemorar a nomeação de Regina Duarte para a Secretaria de Cultura do governo, comandada há menos de uma semana pelo nazista Roberto Alvim.

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Enquanto o conselho editorial do estadunidense The New York Times publicou um texto, ainda nesta terça-feira, dizendo que “a denúncia do governo brasileiro contra Glenn Greenwald é um caso cada vez mais familiar de atirar no mensageiro e ignorar a mensagem” e destacando o histórico do jornalista, “conhecido por seu papel na divulgação de documentos de segurança nacional vazados por Edward Snowden”, a Folha de S.Paulo, jornal de maior circulação no Brasil, diz que a “de Regina Duarte pode trazer previsibilidade”, chamando a atriz de “noiva da Cultura”.

“Não se sabe se o noivado de Regina Duarte se transformará em casamento, mas há uma chance de que a atriz, se assumir, contribua para apaziguar o setor”, celebra a Folha.

Já O Globo, porta-voz político da família Marinho, que tem um contrato mensal de R$ 60 mil com Regina, que a “atriz na área de cultura tensiona bolsonarismo”.

“O convite à atriz Regina Duarte para substituir Roberto Alvim, o plagiador do ideólogo nazista Joseph Goebbels, na Secretaria de Cultura, é inteligente. Atriz experiente e respeitada no seu meio, Regina Duarte não defende teses nazistas. Pode ter uma posição mais conservadora na política, assim como há artistas mais à esquerda. O que importa é a qualificação para o cargo, e ela a tem, pela experiência profissional acumulada no teatro e na teledramaturgia, diz O Globo, ao iniciar sua opinião.

O texto termina com uma estapafúrdia comparação com o aclamado – pela Globo – ministro da economia, que leva o país à bancarrota com suas medidas neoliberais. “A melhor alternativa para a cultura seria equiparar Regina Duarte a Paulo Guedes”.

Já o Estadão aborda a questão dos impactos dos combustíveis fósseis no meio ambiente, os problemas no Enem e a “vingança como política”, um título que caberia muito bem na vingança de Jair Bolsonaro e Sergio Moro contra o jornalista do site The Intercept, que escancarou o conluio entre Lava Jato e a extrema-direita que resultou na eleição do capitão. Porém, o porta-voz dos banqueiros e grandes empresários de São Paulo preferiu falar do já batido tema da realação entre executivo e legislativo federal.

Não causa surpresa alguma o silêncio sobre o ataque à liberdade de imprensa dos grandes grupos de comunicação que apoiaram desde a escravidão – como o Estadão – à ditadura e servem de linha auxiliar para a implantação das políticas neoliberais no país desde os tempos de Collor e FHC.

Desde sempre, esses grupos se julgam “empresários” e não jornalistas. E como empresários estão pouco se lixando para a ameaça à liberdade de imprensa ou à democracia que Bolsonaro representa, desde que continuem com os lucros garantidos.

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