Plínio Teodoro

17 de abril de 2020, 12h39

Pandemia do coronavírus e o prenúncio da III Guerra Mundial

A pandemia do coronavírus leva o mundo à refletir sobre a clássica frase do geógrafo Milton Santos, de que "existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem"

Donald Trump e Xi Jinping (Arquivo)

Engana-se quem pensa que o próximo conflito envolvendo diversos países no mundo será feito com tanques e ataques aéreos. O que se viu nas duas Guerras Mundiais no início do século passado não se repetirá.

A III grande guerra será travada principalmente no campo da informação, entre as nações – e dentro delas -, na contestação da ordem liberal dominante das últimas décadas.

Um discurso que cai por terra diante da pandemia do coronavírus e todas as consequências que está acarretando na economia transnacional e na propalada tese do “Estado Mínimo”, que ganhou seu último fôlego com a onda conservadora que levou Donald Trump e Jair Bolsonaro, entre muitos outros, ao poder.

A Covid-19 fechou fronteiras e expôs a fragilidade da cadeia internacional de suprimentos, concentrada na China em razão dos baixos custos, principalmente em razão da exploração da mão de obra.

A pandemia também exigiu uma forte intervenção dos Estados na Economia e na Saúde. Aos poucos, ainda coloca fim ao soft-power na diplomacia, com Donald Trump encabeçando uma reação autoritária contra a China e organismos multilaterais, como a OMS, levando a reboque seus fantoches que ocupam a presidência em outros países – como no Brasil e no Reino Unido – e tocando berrante para o gado ultra-conservador liberal mundo afora.

A guerra da informação, que vinha sendo travada através das redes internacionais de fake news – comandadas no Brasil pelo chamado “gabinete do ódio” – é o primeiro campo de batalha da III Guerra Mundial. E ela foi intensificada com a pandemia do coronavírus.

Trump, com sanções à OMS e a grandes exportadores de petróleo ainda não alinhados – como Venezuela e Irã -, sufoca a diplomacia internacional e dispara os primeiros mísseis dessa guerra.

A crise econômica sem precedentes que se aproxima forma a segunda trincheira nessa guerra. Privilégios terão que ser derrubados nas esferas pública e privada para que muitos que estão sendo jogados à margem da sociedade possam, ao menos, comer.

A pandemia do coronavírus leva o mundo à refletir sobre a clássica frase do geógrafo Milton Santos, de que “existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem”.

E a batalha da informação mostra de que lado estão os que defendem a economia – e a consequente manutenção desses privilégios – e aqueles que lutam pela manutenção da vida e da existência humana no planeta.


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