Plínio Teodoro

05 de dezembro de 2019, 17h51

Precisamos nos armar para o confronto com a extrema-direita

Séculos de um capitalismo de rapina, praticado por grandes bancos e transnacionais para acumulação do lucro, chegam agora ao limite da espoliação, levando a maioria da população à miséria ou ao endividamento sem volta - incluindo a classe média

(Reprodução)

Alçada e mantida no poder pela truculência e pela força, a extrema-direita prepara a a reação para proteger um discurso “pró-povo” que eles mesmos sabem que não se sustenta quando chega à prática. As ruas do Chile e da Bolívia são testemunhas disso.

Na verdade, o mundo – e mais precisamente o Brasil – chegou a um ponto onde não há mais possibilidades de se esgarçar o tecido social.

Séculos de um capitalismo de rapina, praticado por grandes bancos e transnacionais para acumulação do lucro, chegam agora ao limite da espoliação, levando a maioria da população à miséria ou ao endividamento sem volta – incluindo a classe média.

Não há mais sangue a ser sugado pelo vampirismo financeiro, que alia-se agora ao fascismo praticado pela extrema-direita ultraconservadora a fim de levar a cabo o genocídio daqueles que foram empurrados para viver à margem da usura.

O discurso fragmentado do nós – detentores do poder financeiro e seus cupinchas – contra eles – o povo -, realmente não mais se sustenta em um mundo onde os recursos naturais estão à míngua por um modo de produção autofágico.

Da mesma forma que a pauta moralista em torno de um “deus” punitivo, que concede privilégios apenas àqueles que o invocam em luxuosos templos e impérios midiáticos erguidos com dízimos de fiéis e que prega o extermínio de quem reza em outra cartilha vive seu apocalipse. E aqui cabe-me anunciar aos fiéis deste credo que, não necessariamente, eles estão posicionados nas trincheiras “do bem” nesta batalha, como muitos pensam.

Nós, do campo progressista, precisamos nos armar para enfrentá-los neste “armagedon”. E nossa arma para isso é a informação. É o discurso inclusivo, acolhedor e integrativo daqueles que estão entre nós, o povo, para que não se sintam cupinchas dos detentores do poder financeiro.

É preciso nos armar para discutir a família – uma pauta apropriada pelo conservadorismo – dentro de um conceito includente, amoroso e respeitoso. Como base de nossa relação com o mundo.

Temos de nos armar de informações para enfrentar as falácias sobre a ilusória “ideologia de gênero”, para que a identidade seja uma escolha individual, como a própria definição, e não uma imposição de padrões do que é ser homem ou mulher. Para dizer que crianças são seres políticos, sim, desde que nascem. E é na escola em que assumem partido na defesa da humanidade e da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Precisamos disparar questões de que a ecologia é bem mais do que defender a preservação do meio ambiente da apropriação violenta de nossos recursos naturais. E para isso devemos entender que nós somos parte da natureza, estamos inserindo dentro de um complexo sistema natural que vai nos dizimar juntos com a destruição dele próprio.

Para combater o discurso de ódio é preciso, sobretudo, que a gente se arme de amor. O amor que está na base das relações humanas, daquilo que nos leva até o outro, que nos torna empáticos e faz com que possamos sentir parte dessa estrutura maior que vivemos que se chama planeta Terra. O único lugar onde possamos usufruir da única coisa que faz sentido a todos: a própria vida.


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