Plínio Teodoro

15 de janeiro de 2020, 14h16

Vera Magalhães retoma “estilo” Augusto Nunes e Roda Viva terá prosa entre amigos com Moro

Roda Viva segue sem conexão alguma com a música de Chico Buarque que durante anos foi seu tema de abertura e que hoje explica muita coisa que acontece por lá

Sergio Moro e Augusto Nunes no Roda Viva (Foto: Ricardo Setti)

Ao anunciar nesta quarta-feira (15) a bancada que participará da sua estreia no comando do Roda Viva, que terá o ministro da Justiça, Sergio Moro, ao centro, na próxima segunda-feira (20), Vera Magalhães retoma o estilo Augusto Nunes no histórico programa de entrevistas da TV Cultura, que se perdeu desde que os governos tucanos iniciaram o processo de sucateamento da emissora pública.

À exceção de Malu Gaspar, da Revista Piauí, que pode fazer alguma indagação incômoda ao ex-juiz da Lava Jato, a bancada com medalhões da Folha, Estadão e o Globo farão entrevista no velho estilo levantar a bola para Moro cortar, deixando o ministro à vontade para fazer propaganda do chefe, Jair Bolsonaro, de quem recebeu uma segunda chance após o choro no Ministério da Justiça.

A colunista do Estadão e da Jovem Pan escalou até mesmo um assessor de imprensa de Sergio Moro, para que o ministro não corra o risco de passar por quaisquer constrangimentos no programa.

Ao convidar Felipe Moura Brasil, diretor de Jornalismo da Jovem Pan e organizador do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, de Olavo de Carvalho, Vera Magalhães abre os olhos dos colegas, para que ninguém se atreva a perturbar a propaganda de Sergio Moro.

Não é por acaso que o mesmo Moro que foi ao centro do Roda Viva na despedida de Nunes, volta ao mesmo local na estreia de Vera.

Da mesma maneira como Augusto Nunes foi alçado na profissão bajulando os militares da ditadura, Vera Magalhães fez sua carreira atacando Lula para agradar a oligarquia paulista.

Conhece bem os porões da política e da grande mídia e sabe ainda mais o que deve e o que não deve perguntar ou falar para não desagradar os verdadeiros patrões. Por essas e outras que a presença de jornalistas do site The Intercept, que jogou na vala o status de “herói nacional” de Moro, não interessa.

É esse “estilo” que será retomado no programa Roda Viva. Que segue sem conexão alguma com a música de Chico Buarque que durante anos foi seu tema de abertura e que hoje explica muita coisa que acontece por lá.

Ps.: A Fórum, para colaborar com os colegas que estarão na bancada, pediu a seus leitores que enviassem perguntas a serem feitas por Moro no Roda Viva, que se encontram compiladas neste link

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