O triste fim de Marta Suplicy fazendo a dancinha tucana

Usada como ornamento em uma réplica tucanada do "Erundinamóvel" pela campanha de Bruno Covas, Marta Suplicy encena um triste fim à história da mulher altiva que um dia administrou São Paulo

A última vez que a vi pessoalmente, recém embandeirada nas hostes golpistas ao se filiar ao MDB de Michel Temer, Marta Suplicy não chegava à sombra da mulher altiva que coordenou a campanha do ex-presidente Lula à reeleição em São Paulo e fez história na política como prefeita da capital paulista, senadora, deputada, ministra do Turismo e depois da Cultura.

Marta havia perdido o brilho no olhar, que sinalizava ainda que a energia que a fazia lutar pela justiça social que norteou sua vida, em grande parte ao lado do incansável Eduardo Suplicy, havia se esvaído.

Desde então, acompanho à distância Marta perambular entre antigos adversários buscando um novo lugar ao sol. Sem sucesso.

Imaginei que ao se decidir – certeiramente a meu ver – por não entrar na disputa pela cadeira que um dia foi sua na prefeitura da capital paulista, Marta estaria tentando encontrar um final no mínimo discreto para sua carreira.

No entanto, ao me deparar com o vídeo em que a então altiva prefeita da capital faz a dancinha tucana, sendo usada como ornamento da candidatura de Bruno Covas em uma réplica tucanada do “Erundinamóvel”, percebi que os limites para quem se aliou ao golpe em 2016 simplesmente inexistem.

Que bom seria se tudo que aconteceu desde 2015 até essa dancinha pudesse ser apagado da memória de quem um dia conheceu Marta Suplicy. Triste fim. E espero que seja realmente o fim.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.