Raimundo Bonfim

04 de março de 2020, 21h46

É hora de chamar o povo para as ruas e levantar a bandeira do Fora Bolsonaro

Leia na coluna de Raimundo Bonfim: "Só divulgação de notas públicas, memes e discursos no Congresso não dão conta de conter o projeto bolsonarista de instalar um regime fascista e autoritário em nosso país"

Foto: PCO

O povo brasileiro sofre com as consequências do golpismo que prossegue com o atual presidente da República e que teve inicio com a Lava Jato, passando pelo processo de derrubada da Presidenta Dilma e prisão arbitrária e ilegal do ex-presidente Lula, culminando com a trágica eleição de Jair Bolsonaro – que há mais de 30 anos defende o Regime Militar e faz apologia a torturadores.

Já na condição de presidente, flerta a todo momento com o retorno do AI- 5. Intolerante com as críticas recebidas no carnaval, o presidente se soma à sua turma de milícia digital e publica vídeo convocando ato para dia 15 de março, cujo objetivo é apoio a si próprio e defender o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro comete mais um crime de responsabilidade que justifica o processo de impeachment. Para perda do mandato do ponto de vista jurídico não faltam mais motivos. Faltam agora as condições políticas. Pressão popular. Para tanto, é preciso chamar o povo às ruas.

Assim como nos episódios que explicitaram suas relações com grupos milicianos, seu racismo, machismo, sua homofobia, misoginia e seu ódio aos indígenas, aos pobres e à natureza, a CMP volta a dizer: é preciso iniciar um rigoroso movimento de massas capaz de abrir caminho para derrubar o governo e tudo que ele representa, para além dos desvarios de seu Presidente, mas sobretudo pelas reformas que atacam os trabalhadores, pela entrega de nossas riquezas e pelos cortes nas áreas sociais.

Defendemos eleições gerais livres e diretas, com vistas a iniciar um processo para reestabelecer a normalidade democrática no país. Os partidos de esquerda, democráticos, os movimentos socais e todos os segmentos que defendem as liberdades democráticas e os direitos civis precisam agir à altura da escalada autoritária do presidente Bolsonaro, dos militares e demais segmentos de direita que lhe dão sustentação.

Sofremos diariamente com as consequências da atuação antidemocrática de nossas principais instituições: o Sistema de Justiça, englobando a partidarização do Ministério Público e Judiciário, as forças repressoras do Estado – polícias federal, militares e civil, e forças armadas, que matam a juventude pobre, negra e periférica, promovem o encarceramento em massa e as milícias, amplamente apoiadas pelo atual governo, são forças que atuam partidariamente defendendo os interesses da burguesia tanto no Legislativo e Executivo quanto na perseguição dos defensores da democracia, dos direitos humanos e das lideranças populares; o oligopólio da mídia que, em atenção aos interesses do mercado, é conivente com episódios constantes de quebra da institucionalidade democrática e promove o silenciamento das vozes opositoras, sobretudo no que se refere a assuntos econômicos; setores das igrejas, em especial as evangélicas neopentecostais e a católica conservadora, com seu proselitismo político e uso indevido dos meios de comunicação de massa para pregação político-religiosa; o Itamaraty e sua política de quebra da soberania nacional pela subordinação aos interesses dos EUA.

Não dá para ficarmos esperando que o Congresso Nacional e o STF contenham a sanha autoritária de Bolsonaro. Essas instituições são aliadas do projeto em curso no país, de perda da soberania, de privatização, de ataque aos direitos, como a aprovação da reforma da Previdência. Estão alinhadas com os interesses empresariais, sobretudo do mercado financeiro internacional.

Já não vivemos há muito a normalidade democrática, e a cada dia o golpismo avança mais um passo. As frequentes declarações de Bolsonaro estão localizadas nesse processo: são uma tentativa de fazer avançar um projeto autoritário e de ortodoxia neoliberal na economia. Bolsonaro e seus aliados nas forças armadas e no grande empresariado novamente explicitaram suas intenções de fechamento de regime, e diante disso não podemos nos omitir.

Até quando Bolsonaro e seus ministros cometerão crimes e ficarão impunes? O que mais Bolsonaro precisar atentar contra a ordem democrática, além de defender o fechamento do Congresso e do STF, atacar a cultura, educação, meio ambiente, população indígena, quilombolas, mulheres, LGBTs? Vamos esperar colocar os tanques nas ruas? É preciso coragem para determos o tirano enquanto isso for possível.

Amplos setores da esquerda argumentam que levantar a bandeira do “Fora Bolsonaro” seria um tiro no pé, uma loucura, até mesmo uma aventura, pois nos falta correlação de força favorável. É verdade que no momento atual não há correlação de forças, mas isso pode mudar, a depender da disputa política, em especial da pressão das ruas. Outro argumento é que não basta trocar Bolsonaro por Mourão. Que isso até ajudaria a extrema direita a se livrar de Bolsonaro, do monstro que ela criou. Mas um movimento de massas de fato movido pelos interesses populares pode forçar a anulação da chapa por inteiro, tendo em vista os crimes cometidos durante a campanha eleitoral via fake news, por exemplo. É preciso convocar a sociedade brasileira, todas as forças democráticas do país, a sair às ruas para lutar contra o autoritarismo e defender um amplo processo de reconstrução da ordem democrática. Para enfrentar tudo isso, precisamos organizar as lutas contra as violações de direitos que afetam diretamente o cotidiano das classes populares brasileiras.

Diante da real ameaça de um regime totalitário e fascista, não podemos aceitar que a lógica do jogo eleitoral de 2022 prevaleça em detrimento da defesa da democracia e da luta contra a destruição do país. É inadmissível aceitar que Bolsonaro caminhe a passos rápidos na destruição das instituições do regime democrático, ao mesmo tempo que fortalece um poder paralelo através das milícias digitais, grupos milicianos, militares e sua base de sustentação conservadora e fundamentalista presente em amplos setores das igrejas evangélicas e católica.

Só divulgação de notas públicas, memes e discursos no Congresso (uma importante trincheira de resistência) não dão conta de conter o projeto bolsonarista de instalar um regime fascista e autoritário em nosso país. O que a vida quer de nós é coragem, afirmou Guimarães Rosa. A hora é agora, não dá para esperar 2022. Pode ser tarde demais. Nos dias 8, 14 e 18 de março, vamos às ruas, em defesa dos direitos das mulheres, dos/as servidores/as e serviços públicos, educação, emprego, direitos, democracia.

E levantar a bandeira do Fora Bolsonaro, iniciar um amplo processo de mobilização e acúmulo de forças que nos leve ao impeachment de Bolsonaro e a eleições livres e diretas para restabelecermos a democracia no país.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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