Raimundo Bonfim

04 de setembro de 2019, 13h18

O grito contra a destruição do Brasil

Raimundo Bonfim: “No próximo sábado, dia 7, realizaremos o histórico Grito dos Excluídos, para denunciar e protestar contra a desigualdade social que impera em nosso país”

Foto: Marcos Corrêa/PR

Desde quando iniciei minha coluna na Revista Fórum, venho denunciando o golpe em curso no Brasil, que possui um grande objetivo de destruir o país, para relegar aos brasileiros a única opção de ser submisso aos interesses dos Estados Unidos e de grandes empresas. Esta semana não será diferente, pois acredito que este seja o assunto de maior interesse de quem me acompanha.

O caso mais recente que demonstra as consequências desse projeto em curso é a queimada criminosa da Amazônia, em favor dos fazendeiros, madeireiras e agronegócio. Daqui de São Paulo pudemos sentir na pele a importância da nossa floresta, não só por ela em si, mas também para a sobrevivência da espécie humana.

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Há 519 anos somos dominados por colonizadores que prescindem da vida, que enxergam nosso povo apenas como força de trabalho e, agora, em 2019, partem para a ofensiva para se recuperar de uma crise econômica, jogando a conta nos ombros da classe trabalhadora.  Destruição, para eles, gera lucro. Para nós, são vidas perdidas.

Desde o início do ano temos ido às ruas para defender nossos direitos, os recursos naturais, o meio ambiente e um desenvolvimento sustentável, visto os crimes de Mariana e Brumadinho, que ainda não tiveram seus principais atores responsabilizados – a Vale e o Estado brasileiro.

Fragilizar a Amazônia, a reabertura da base de Alcântara no Maranhão, a venda de nossas estatais são ataques diretos à nossa soberania nacional. É inaceitável que Bolsonaro continue vendendo o Brasil para estrangeiros, enquanto o desemprego e a desigualdade seguem aumentando.

O desmonte dos direitos sociais, como a terceirização, congelamento de gastos pelos próximos 20 anos, reforma trabalhista e, agora, reforma da Previdência, têm desestruturado o mercado de trabalho formal, jogando milhões na precariedade e outros milhões para, simplesmente, fora do mercado de trabalho. Já são 13 milhões de desempregados.

Essa situação tem transformado o Brasil em um país cada vez mais de serviços, e não de produção e exportação, retirando mais uma vez a possibilidade de colocar a nação em uma boa posição internacional, em meio à disputa de hegemonia entre EUA e China.

O ataque à educação é outra política que deixa evidente os objetivos desse governo. Não à toa sua popularidade tem caído. Talvez alguns achem que defender a Petrobras ou ser contra a reforma trabalhista sejam pautas “de esquerda”. No entanto, sem dúvida nosso povo tem certeza que a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade é uma necessidade para construímos uma nação desenvolvida, igualitária e democrática.

Além disso, defender o ensino, a pesquisa e a extensão fazem parte também de defender que o Brasil seja, de fato, uma nação no futuro, que produza conhecimento, ciência, inovação e tecnologia.

Por isso, desde maio, convocamos os mais diversos setores que apoiam essa luta e temos mobilizado grandes atos, nas ruas, contra essa política de Bolsonaro, que é mais uma face do mesmo programa ultraneoliberal e conservador.

Eu não poderia deixar de mencionar o fim do programa Minha Casa, Minha Vida como conhecemos, que agora passará a ser apenas uma bolsa aluguel, que além de ser insuficiente para pagar um aluguel, não garante o direito para a população com baixa renda acessar à moradia.

Por fim, acredito que nosso povo, como já mencionei, não vê tudo isso de forma passiva. Temos lutado cotidianamente contra essa ofensiva. Por isso, para implementar o ultraliberalismo, Bolsonaro precisa diminuir as margens democráticas do jogo político.

Denuncio novamente a prisão dos companheiros (as) do movimento de moradia de São Paulo, que estão detidos (as)  há quase dois meses sem ter cometido nenhum crime, por apenas defender o direito à teto, que todos deveríamos ter.

Lula segue preso em Curitiba, sem crime e sem provas, demonstrando o caráter neofascista do Estado, que emerge a partir de Moro, Bolsonaro e Guedes.

No próximo sábado, dia 7, realizaremos o histórico Grito dos Excluídos, que organizamos anualmente há 25 anos, para denunciar e protestar contra a desigualdade social que impera em nosso país.

Mas, este ano, o grito deve ser maior e mais alto, para que o Brasil e o mundo se levantem contra os retrocessos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. Seguimos nos organizando e resistiremos a qualquer ataque de cabeça erguida. Vamos gritar contra a destituição do Brasil. Nos vemos lá.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


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