Raphael Silva Fagundes

23 de agosto de 2019, 22h48

Por onde anda Tabata Amaral, em meio ao desmonte da educação?

Raphael Fagundes: “Como uma pessoa pode se dizer uma ativista pela educação e votar a favor de uma reforma que precisou sangrar a pasta ministerial que trata do assunto para ser aprovada?”

Reprodução/Facebook

Depois do imbróglio entre Tabata Amaral e Weintraub, em maio, por este ter divulgado o telefone da deputada nas redes sociais, a jovem, vista como uma das inovações do sistema político brasileiro, nada falou sobre o ministro da Educação.

No entanto, em meio à confusão em que, inclusive, a deputada afirmou que iria processar o ministro, chegou a se dizer que Weintraub é mais perigoso que Vélez, por ser capaz de executar um projeto político sem critérios técnicos, baseado apenas na ideologia. Mas, em relação aos cortes na educação, a parlamentar do PDT não se mostrou contrária.

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O projeto Future-se foi apresentado e a deputada parece ter gostado, já que não veio à tona nenhuma manifestação de sua parte. Os estudantes do Cefet-RJ se uniram contra um interventor do MEC e a deputada nada falou sobre a democracia pedagógica.

Alguns setores da esquerda criticaram quando vozes do mesmo setor do espectro político desconfiaram da jovem política em um primeiro momento. Mas parece que tudo se confirmou nos últimos três meses.

Bancada por um dos maiores empresários brasileiros, Tabata Amaral não podia ir muito além daquele episódio que criticou a incapacidade de Vélez em executar o projeto de desmonte da educação, que, a essa altura, não sabemos se a deputada é realmente contrária. Parece que ela quer apenas uma explicação e nada mais.

Defensora da reforma da Previdência, a qual só foi aprovada por meio da retirada de recursos da educação para pagar emendas dos parlamentares que votaram à favor da medida, Tabata não veio a público falar desse absurdo, depois que o próprio ministro confessou tudo. Segundo Weintraub, o corte de 926 milhões na educação foi para pagar emendas!

Como uma pessoa pode se dizer uma ativista pela educação e votar a favor de uma reforma que precisou sangrar a pasta ministerial que trata do assunto para ser aprovada? Defender cortes em favor de interesses empresariais, que é o que a reforma da Previdência representa, em detrimento da educação é, no mínimo, contraproducente com o discurso da pedetista. É se aliar duas vezes a essa corja de direita que assumiu o poder, pois se é contra a educação e, por tabela, contra a classe trabalhadora.

Portanto, a hipocrisia na política brasileira parece que não vai sair de moda tão cedo.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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