Raphael Silva Fagundes

12 de outubro de 2019, 14h04

Por que não uma “engenhoca”?

Raphael Fagundes: "Se a esquerda portuguesa uniu-se, em 2015, para escorraçar a direita e sua política de austeridade do poder criando a geringonça, por que não criarmos aqui uma engenhoca?"

Reprodução

Se a esquerda portuguesa uniu-se, em 2015, para escorraçar a direita e sua política de austeridade do poder criando a geringonça, por que não criarmos aqui uma engenhoca?

A única forma de expulsar a extrema direita é por meio da união da esquerda. É prático, uma necessidade histórica. O Partido Comunista Português explica o motivo de se dar cabo à geringonça, o que ocorreu nesta semana: “A esta actual arrumação de forças no plano institucional corresponde, no entanto, uma conjuntura política distinta da de 2015. Há quatro anos tratava-se de, perante a oposição do então Presidente da República, criar as condições mínimas e bastantes para interromper a política de agravamento da exploração e empobrecimento então em curso, implicando isso a não indigitação do PSD, partido então mais votado mas sem condições, como se provou, para formar governo”.

A missão histórica foi cumprida: expulsar a política draconiana da direita que agradava o mercado. Ainda recebendo algumas críticas (aliás o nome geringonça veio de uma crítica de Paulo Portas, presidente do CDS – Partido Popular, de direita), a coligação entre o PS e o Bloco de Esquerda foi eficiente. Nas últimas eleições, a direita portuguesa teve um rendimento pífio.

Agora é a nossa vez. A política de austeridade de Bolsonaro irá empobrecer os trabalhadores ainda mais. Já vemos sinais disto na queda da renda das famílias e com o aumento da miséria. Provavelmente todo esse quadro de depressão irá se agravar até 2022, quando as condições materiais de existência exigirão a construção de um Bloco de Esquerda genuíno.

A união do PSB, PDT, PCdoB, PCB, PSOL e PT, pode ser um maquinismo útil e de fácil montagem para um único fim: impedir a perpetuação da direita e da política de austeridade.

Nessa “engenhoca”, poderíamos propor Joaquim Barbosa como o primeiro presidente negro do país, tendo como vice, o governador do Maranhão, Flávio Dino. Outros personagens importantes poderiam se candidatar, como o próprio Ciro Gomes ou Haddad. O que não pode haver é essa desunião, muito menos a preponderância do PT sobre as outras partes, um projeto da mídia que resumiu toda a esquerda ao Partido dos Trabalhadores.

Aliás, tendo um nome de fácil acesso para a coligação, a própria ideia de partido se dissolve, questão importante, já que o grosso da população não se simpatiza muito com o partidarismo.

Essa união estratégica daria uma reviravolta na política brasileira e fortaleceria a democracia – hoje aviltada por muitos pronunciamentos de integrantes do governo – recompondo, inclusive, a imagem internacional do país.

Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

 


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