Raphael Silva Fagundes

06 de novembro de 2019, 22h02

Porcos, patifes e canalhas: Bolsonaro não estava errado

Raphael Fagundes diz que o presidente estava correto em um certo ponto, na definição do que é a Globo, mas errou a razão

Foto: Reprodução

É importante refletirmos sobre a indignação de Bolsonaro em relação ao grupo Globo. A corporação, depois de produzir uma reportagem que o relacionava ao caso Marielle, exalta o pacote econômico de Paulo Guedes. Ela fala mal do presidente, mas apoia tudo o que causa a miséria e a instabilidade da população. Promove um jogo no qual incita a população a odiá-lo através de um ponto de vista específico para que não nos indignemos perante às privatizações de empresas lucrativas para o Estado, ao corte de gastos e às reformas.

A defesa da corporação ao pacote econômico de Paulo Guedes é a prova de que toda a crítica que faz a Bolsonaro não é direcionada ao seu governo, mas à pessoa. Resume-se à pessoa e não ao seu projeto de destruir o país. Nossa crítica precisa ir mais além.

A variedade de causas para se defender nos dias de hoje pode fazer parecer facilmente que uma pessoa ou grupo esteja do lado dos desamparados e oprimidos. Contudo, isso pode ser um embuste. A Globo e seus diversos tentáculos condenam a homofobia, o racismo e o sexismo, mas apoiam sem pestanejar políticas que empobrecem a população e que tiram direitos trabalhistas, redução de salários e a perda da estabilidade.

São porcos porque defendem a capitalização de aposentadorias, como a que levou à revolta popular chilena. São patifes porque defendem a política neoliberal que levou à decadência da Argentina. E são canalhas por defenderem a espoliação da classe trabalhadora que levou o povo do Equador a tomar as ruas.

São contra Bolsonaro porque há uma demora em implantar essa política maligna, já que é no primeiro ano, quando há uma “lua de mel” com o eleitor, que o candidato eleito tem a maior oportunidade de aprovar projetos polêmicos. Mas essa tática tem se mostrado dificultosa.

Bolsonaro estava correto em um certo ponto, na definição do que é essa megacorporação, só errou a razão. Ela não é canalha, porca e patife por expor a podridão envolvendo o presidente no caso Marielle, mas por defender medidas que causam o empobrecimento dos povos, as mesmas medidas que estão sublevando os cidadãos da América do Sul.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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