Reginaldo Lopes

01 de agosto de 2019, 22h38

Carta aberta à militância do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras

Reginaldo Lopes: “O PT nasceu para fazer diferença e não tem como, nem porque, fugir do seu destino”

Foto: Wilson Dias/ABr

A escolha da próxima presidenta, ou presidente, do PT significa algo muito além do PT. A responsabilidade de quem governou e mudou o país, e que lidera o campo político da esquerda brasileira, é maior do que os poderosos tentam fazer parecer.

A criação do nosso partido representou a possibilidade de mudanças reais na política brasileira, em favor do povo. Com democracia, participação, num Brasil em que a diversidade de ideias e a livre organização não fossem apenas aceitas, como estimuladas. O PT nasceu para fazer diferença e não tem como, nem porque, fugir do seu destino.

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A chamada Nova República e o pacto humanista firmado a partir da Constituição de 1988 – que garante a legitimidade da luta por direitos – ruíram com a farsa do impeachment de Dilma Rousseff e com a injusta e absurda prisão de Lula. A ruptura democrática deu vez ao autoritarismo de uma extrema direita que trabalha, diariamente, para destruir direitos e as instituições e, assim, destruir junto a democracia brasileira, instituindo a perseguição aos que pensam diferente.

Cabe à presidência do nosso partido a coragem de ser a imagem de um PT conectado com o dinamismo dos anseios populares e das mudanças do mundo, sem jamais abandonar as bases ou sair das nossas origens, mas que tenha a capacidade de ser o futuro. Um PT que tenha clareza que a liberdade de Lula é prioridade para a retomada do processo de democratização (re)iniciado com a Constituição de 1988. Que defenda a Carta Magna e enfrente as cruéis políticas de austeridade, para além de pontuais equívocos táticos ou políticos do passado. Que defenda o legado dos governos Lula e Dilma e uma agenda construtiva para o país.

O PT deve estar pronto para ser o polo de resistência contra o avanço reacionário e a qualquer tipo de preconceito. Ser a voz de milhões de mulheres brasileiras, dos negros, das negras, da comunidade LGBT, dos mais humildes, dos indígenas, dos estudantes, dos nordestinos, dos trabalhadores rurais e urbanos e dos pequenos e médios empresários; ou seja: daqueles que realmente precisam do Estado.

Neste desejo, considero fundamental a recondução da companheira Gleisi Hoffmann à presidência do Partido dos Trabalhadores e convido a todas e todos os companheiros petistas a uma séria reflexão nesse sentido.

Nem o mais ácido crítico poderá negar seu diuturno empenho e dedicação em nome do partido. Não à toa, colhe o ódio dos que não conseguem conviver com a democracia e com a esquerda, e tem cada vez mais, o respeito de quem luta diariamente por ela. Democrática que é, Gleisi nunca buscou o confronto odiento, mas, sapiente do clima beligerante que tomou conta do país, enfrenta com altivez, coragem e extrema dignidade o fascismo brasileiro. Diariamente.

Sua presidência é marcada por grandes desafios e por um momento onde a perseguição ao PT atingiu os níveis mais escandalosos. E o PT está de cabeça erguida! Gleisi é uma voz contra o autoritarismo e contra as injustiças em todos os níveis; seja defendendo o direito à moradia e à terra para quem mais precisa, seja estando ao lado dos estudantes contra o ataque às universidades e institutos federais, seja denunciando o desmonte do Estado brasileiro ou os abusos da Lava Jato e do “lawfare” contra Lula e contra lideranças de esquerda.

Está ombro a ombro com milhões de companheiras e companheiros nas lutas populares, e, ao mesmo tempo, sou testemunha, exerce um excelente mandato parlamentar na Câmara dos Deputados. Trabalha muito enquanto preside com habilidade política o maior partido de esquerda da América do Sul e um dos maiores do mundo.

Definitivamente, Gleisi Hoffmann está à altura dos desafios do tempo em que vive e saberá conduzir o PT na direção de suas responsabilidades com o nosso país, nunca esquecendo o seu espaço na política brasileira e estando sempre pronta para lutar a qualquer hora pelo nosso legado, por direitos para o povo e pela libertação de Lula – seja nas ruas, nas redes, nas bases ou no Parlamento.

Para mim, nada mais transformador e revolucionário que a recondução de uma mulher capaz e de luta na presidência do nosso PT. Principalmente após termos sido ceifados de exercemos o mandato da primeira mulher eleita e reeleita na presidência do Brasil.

Viva Lula, Viva o Brasil, Viva o PT, Viva Gleisi Hoffmann! Conte comigo, companheira!

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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