Reginaldo Lopes

17 de outubro de 2019, 18h00

O PDT é mais vítima de Ciro Gomes do que o PT, que ele tanto ataca

Em novo artigo, o deputado Reginaldo Lopes diz que Ciro Gomes volta à sua origem de quando era quadro do PDS, partido sucessor da Arena. “Isso não é novidade, o problema é estar cumprindo esse papel em um partido trabalhista, que sempre ajudou na defesa do povo brasileiro"

Foto: Reprodução/TV Cultura

Em sua passagem pela minha Minas Gerais, nesta semana, o atualmente pedetista Ciro Gomes manteve sua metralhadora giratória contra o Partido dos Trabalhadores. Atualmente, não existe nenhum antipetista – e olha que não são poucos – que seja mais militante em atacar o maior partido de esquerda da América Latina. Usando seus habituais palavrões, que prefiro não republicar, deu entrevista para a competente repórter Juliana Cipriani, do jornal Estado de Minas.

Sempre massageando seu ego, como se fosse um gênio acima dos mortais, Ciro cumpre o papel de atacar o PT por onde passa. Vejam o exemplo desta semana: enquanto o partido de Bolsonaro, o PSL, se digladia numa luta interna fraticida pelo poder e o dinheiro do fundo partidário, Ciro não perde o foco. Nenhuma palavra contra o partido de direita, pois não pode atacar outra agremiação que não seja o PT.

Até aqui, não desperdicei meu tempo respondendo seus ataques, mas um fato me preocupa. Depois de passar por quase uma dezena de partidos, atualmente Ciro está no PDT, um partido trabalhista, que sempre esteve ao lado do PT em defesa dos trabalhadores e do Brasil. Que, teve entre os seus fundadores e principais dirigentes, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e tantos outros que deixaram páginas de glória nos livros de história do Brasil.

E os ataques verborrágicos de Ciro atrapalham na união da esquerda que o Brasil precisa tanto. Nosso país está sob ataque de forças estrangeiras, o patrimônio e as riquezas sendo levadas, os direitos dos trabalhadores retirados, a fome aumentando, o desemprego crescendo, o Estado de Direito massacrado. A hora é de união do povo em defesa do Brasil. Mas Ciro não pensa dessa forma. Chego à conclusão que a principal vítima dos ataques dele não é o PT, mas o próprio PDT, legenda que ele está usando nos últimos anos.

O PT foi responsável por escrever as mais belas páginas da história da jovem democracia brasileira. O que nos trouxe até aqui nos enche de orgulho. Nascido do processo de redemocratização no fim da ditadura militar, o petismo juntou a esperança de brasileiros e brasileiras que queriam se ver representados num partido com a cara do Brasil e do seu povo e, acima de tudo, que defendesse os interesses da classe trabalhadora.

De lá pra cá, foi uma caminhada árdua de construção, passo a passo. Greves, caravanas, mobilizações, construção política nos municípios, um acúmulo de experiências e uma nova forma de agir e governar. Assim, nosso PT conquistou o coração e a esperança dos brasileiros, que, após anos de muita luta, foi escolhido pelo nosso povo para liderar uma aliança que governou o país por 13 anos.

No poder, ao contrário do que a elite apostava, o PT mudou o Brasil. Chegamos a ser a sexta maior potência econômica do mundo. Tiramos 42 milhões de pessoas da miséria, a fome ficou no passado e a desigualdade caiu substancialmente. Levamos os negros e os pobres para a universidade, a moradia virou um direito de fato, a saúde foi universalizada. Quanto mais o Brasil conheceu o PT, mais confiou nele, e expressou essa confiança em quatro eleições consecutivas para a presidência da República.

Entretanto, a elite nacional e internacional não aceitou ver o pobre conquistar seu espaço, ter cidadania, entrar na universidade, no avião. E as forças reacionárias articularam um golpe de Estado que ceifou o mandato legítimo da presidenta Dilma e colocou em xeque a nossa democracia. Depois disso, só retrocessos. A extrema direita se aproveitou de uma eleição fraudulenta, que impediu Lula, o líder das pesquisas, de se candidatar e o isolou do seu povo em uma masmorra, aprisionando junto nossa sonhada democracia, nossa esperança, prendendo os sonhos de soberania e cidadania de toda uma geração.

Enquanto houve eleições presidenciais democráticas, o povo escolheu o PT. E mesmo nas últimas, viciadas eleições, conquistamos 47 milhões de votos com a candidatura presidencial de Fernando Haddad. E, no fundo, é isso que o Ciro Gomes não aceita. Essa confiança do povo brasileiro com o Partido dos Trabalhadores. Que está abalada em alguns setores, graças à manipulação e alienação disseminada pela elite contra nosso partido.

E após conquistar seu objetivo, de apear nosso partido da presidência com um golpe de Estado, a elite passou a contar com um mensageiro das suas mentiras. Ciro Gomes, com esse papel, volta à sua origem de quando era quadro do PDS, partido sucessor da Arena. Isso não é novidade, o problema é estar cumprindo esse papel em um partido trabalhista, que sempre ajudou na defesa do povo brasileiro. O PDT hoje é refém de Ciro Gomes, que atinge mais seu próprio partido que o PT, que ele tanto ataca.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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