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05 de novembro de 2018, 12h18

Com ataques à mídia e comunicação por redes sociais, Bolsonaro copia estratégia de Donald Trump

Segundo Jim Rutenberg, Trump conseguiu "projetar os jornalistas como os principais coadjuvantes em seu interminável reality-show, para deleite dos que o aplaudem nos comícios".

Foto: Arquivo
Em artigo publicado no sábado (3) no jornal The New York Times (leia na Folha, a íntegra em português), Jim Rutenberg traçou a estratégia de comunicação do governo de Dolnad Trump – que vem sendo copiada pelo presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL) desde a campanha política. Segundo Rutenberg, o discurso de ataques constantes à mídia feitos por Trump por meio de suas redes sociais é real e está funcionando. “Segundo uma pesquisa da CBS News feita durante o verão, 91% dos ‘fortes apoiadores de Trump’ confiam nele para dar informações precisas; 11% disseram o mesmo sobre a mídia....

Em artigo publicado no sábado (3) no jornal The New York Times (leia na Folha, a íntegra em português), Jim Rutenberg traçou a estratégia de comunicação do governo de Dolnad Trump – que vem sendo copiada pelo presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL) desde a campanha política. Segundo Rutenberg, o discurso de ataques constantes à mídia feitos por Trump por meio de suas redes sociais é real e está funcionando.

“Segundo uma pesquisa da CBS News feita durante o verão, 91% dos ‘fortes apoiadores de Trump’ confiam nele para dar informações precisas; 11% disseram o mesmo sobre a mídia. Trump foi franco sobre a tática em uma conversa em 2016 com Lesley Stahl, da CBS News, que ela compartilhou no início deste ano: ‘Faço isso para desacreditar vocês todos e diminuir vocês todos, assim quando vocês escreverem matérias negativas sobre mim ninguém acreditará em vocês’, teria dito ele a Stahl”, diz o artigo publicado no NYT.

O articulista inicia seu texto falando de um tuíte feito por Trump às 3h14 do dia 26 de outubro. “Engraçado como a mal vista CNN e outras podem me criticar à vontade, até me culpando pela atual série de bombas e comparando-as ridiculamente ao 11 de Setembro e ao bombardeio em Oklahoma City”, escreveu ele, “mas quando eu as critico elas enlouquecem e gritam: ‘Isso não é presidencial!'”

“Horas depois, o tuíte de Trump era notícia nacional”, disse Rutenberg, sobre a repercussão da versão de Trump sobre as 12 bombas enviadas a políticos, personalidades e à própria CNN.

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“Depois de zombar e insultar repórteres na campanha, Trump continuou perseguindo jornalistas um dia depois de assumir o cargo, sobre o tamanho do público em sua posse. Depois veio a campanha de rótulos negativos —”fake news”, “inimigo do povo”— contra os que o responsabilizavam pelos fatos”, descreve.

Segundo ele, o sistema de informação política está inundado de afirmativas enganosas ou totalmente erradas, mais do que os repórteres podem acompanhar. “É como se Trump tivesse atingido a indústria jornalística com um ataque de negação de serviço”.

O jornalista afirma ainda que Trump conseguiu “projetar os jornalistas como os principais coadjuvantes em seu interminável reality-show, para deleite dos que o aplaudem nos comícios”.

No Brasil
Assessorado pelo ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon – que trabalhou com Donald Trump -, Bolsonaro vem, desde a campanha, repetindo a estratégia da sua principal referência política. Logo na primeira entrevista, ao Jornal Nacional, o capitão da reserva fez ameaças à Folha de S.Paulo.

Ao ser criticado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que, pelas redes sociais disse que o militar pode prejudicar a imagem do Brasil no exterior -, Bolsonaro publicou uma foto do tucano deitado em uma poltrona. Uma das respostas mais curtidas na publicação de Bolsonaro foi a do empresário Luciano Hang, dono da cadeia de lojas Havan: “FHC enganou a mim e a todos os brasileiros. É um comunista”, tuitou.

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