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09 de setembro de 2013, 12h50

Dez anos após invasão ao Iraque, EUA ameaçam Síria com a mesma justificativa

A alegação de que o governo de Saddam Hussein possuía armas químicas nunca se confirmou

A alegação de que o governo de Saddam Hussein possuía armas químicas nunca se confirmou  Por Igor Carvalho “Estamos preparados para acertar o que quisermos na Síria”, diz Obama (Chuck Kennedy/ Official White House photo) Nesta segunda-feira (9), o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que a Síria tem uma semana para entregar suas armas químicas e evitar um ataque militar americano. A ameaça é a mesma feita contra o Iraque, em 2003, com  base na mesma suspeita que se mostrou, anos depois, equivocada. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, os EUA propagavam ao mundo...

A alegação de que o governo de Saddam Hussein possuía armas químicas nunca se confirmou 

Por Igor Carvalho

“Estamos preparados para acertar o que quisermos na Síria”, diz Obama (Chuck Kennedy/ Official White House photo)

Nesta segunda-feira (9), o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que a Síria tem uma semana para entregar suas armas químicas e evitar um ataque militar americano. A ameaça é a mesma feita contra o Iraque, em 2003, com  base na mesma suspeita que se mostrou, anos depois, equivocada.

Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, os EUA propagavam ao mundo a certeza de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. O secretário de Estado americano à época, Colin Powell, afirmava que as provas eram “irrefutáveis e inegáveis.”

Em dezembro daquele ano, Hussein foi capturado pelo governo dos EUA e somente em fevereiro de 2004, 10 meses após a tomada de Bagdá, o governo de George W. Bush abriu investigação sobre a existência de armas químicas no Iraque e não conseguiu encontrar nada.

Os EUA só saíram do Iraque em 2011, sem qualquer sentimento de “vitória” e com a morte de mais de 115 mil civis iraquianos.

Dez anos depois

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A nova investida bélica norte-americana deve ser contra a Síria e sob a mesma alegação, o que já provocou protestos pelo mundo e intervenções de lideranças como Alexei Pushkov, chefe do Comitê das Relações Exteriores da Duma ou Câmara dos Deputados da Rússia, em sua conta no Twitter. “Este é exatamente o argumento que utilizou o governo Bush para explicar sua agressão contra o Iraque. O resultado já o conhecemos.”

A lembrança do russo foi imediatamente respondida pelo embaixador americano em Moscou, Michael McFaul, com a mesma certeza de dez anos atrás. “Falsa analogia. Ao contrário de 2003, ninguém dúvida que o regime (de Bashar al Assad) tem armas (químicas) e que as usou. Nós não invadiremos.”

Ao comunicar a decisão do governo estadunidense, Kerry foi taxativo sobre a posse de armas químicas por parte do governo sírio, porém, não apresentou provas, apesar de afirmar que elas existem. O secretário de Estado afirmou estar pessimista em relação a uma possível colaboração de Assad no processo e afirmou que o governo sírio deve entregar “tudo, sem demora, e permitir a contabilidade completa e total (das armas), mas não parece que ele [Assad] fará isso.”

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