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05 de junho de 2019, 17h57

Com quase 1 milhão de casos em 27 anos, Brasil tem recorde de morte de armas de fogo

Atlas da Violência aponta que, depois de um período de estagnação, por conta da lei que instituiu o Instituo do Desarmamento, em 2003, Brasil voltou a registrar números recordes de mortes causadas por arma de fogo

Foto: Raphael Alves
O Brasil nunca teve tantos homicídios provocados por armas de fogo. É o que conclui o relatório do Atlas da Violência, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em conjunto com o Fórum Nacional de Segurança Pública, e apresentado nesta quarta-feira (5). Segundo o relatório, que utiliza dados do Ministério da Saúde, 72,4% das mais de 65.000 mortes violentas ocorridas em 2017 foram causadas por armas de fogo. É o maior índice já registrado desde 1980, ano inicial de registro de casos. Desde 1980, quase 1 milhão de pessoas foram mortas por armas de fogo no país. Foram 955...

O Brasil nunca teve tantos homicídios provocados por armas de fogo. É o que conclui o relatório do Atlas da Violência, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em conjunto com o Fórum Nacional de Segurança Pública, e apresentado nesta quarta-feira (5).

Segundo o relatório, que utiliza dados do Ministério da Saúde, 72,4% das mais de 65.000 mortes violentas ocorridas em 2017 foram causadas por armas de fogo. É o maior índice já registrado desde 1980, ano inicial de registro de casos.

Desde 1980, quase 1 milhão de pessoas foram mortas por armas de fogo no país. Foram 955 mil homicídios somados. No começo dos anos 1980, cerca de 40% dos assassinatos eram cometido por armas de fogo. O estudo conclui que este número subiu de modo agressivo até 2003, quando foi criado o estatuto do desarmamento, fato que freou a escalada.

“A partir de 2003 esse índice estacionou em 71%. Portanto, nessas décadas, saímos de um percentual de homicídio por arma de fogo equivalente ao de países vizinhos, como o Chile e a média dos países da América do Sul e chegamos a índices parecidos como países como Honduras e Jamaica”, afirma o relatório.

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É justamente esta lei que freou o número de mortes por armas de fogo que é alvo de ataques do governo Bolsonaro e seu lobby armamentista.

As medidas do governo batem de frente com o que pensa a população a respeito do aumento do números de armas em circulação. Pesquisa realizada pelo Ibope em março, depois do primeiro decreto de Jair Bolsonaro que facilitou a posse de armas, indicou que 73% são contrários à flexibilização do porte e 26% são favoráveis; 1% não soube ou não respondeu. A pesquisa também mediu a opinião dos brasileiros sobre a posse de armas. O resultado foi que 61% são contra e 37% são a favor, além de 2% que não souberam ou não responderam. Em entrevista ao jornal argentino La Nación, Bolsonaro disse que ninguém acredita nos institutos de pesquisa no Brasil.

No começo de maio o presidente sancionou o decreto que estende o porte de arma a profissionais como advogados, caminhoneiros e políticos eleitos. Além disso, o decreto permite que colecionadores, caçadores e atiradores possam transitar com armas municiadas, o que antes era proibido; o direito de comprar até mil cartuchos por ano, sendo que antes o limite eram 50; e a permissão para que praças das Forças Armadas com dez anos ou mais possam portar arma de fogo.

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A autodefesa contra a criminalidade é um dos argumentos principais do presidente para o decreto. No entanto, diversas pesquisas feitas no Brasil e no exterior, segundo o Atlas da Violência, apontam que a diminuição armas em circulação diminui também o índice de homicídios e também de crimes contra o patrimônio.

Os pesquisadores do Atlas da Violência chamam atenção para o desequilíbrio no debate sobre o tema. “Apontamos haver um debate desigual, em que, de um lado, estão as evidências empíricas científicas e de outro a retórica armamentista da autodefesa, nunca confirmada em pesquisas científicas”, afirmam.

Leia o relatório do Atlas da Violência na íntegra

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