Fórumcast, o podcast da Fórum
20 de julho de 2019, 13h55

Abraji: Jair Bolsonaro utiliza falsidades, mais uma vez, para atacar a imprensa

Episódio ocorreu durante café da manhã com correspondentes estrangeiros. O alvo da vez foi Miriam Leitão. Em nota, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo repudiou a fala do presidente

Reprodução

Nessa sexta-feira (19), após uma recomendação médica de seu dentista para que ele não falasse, Jair Bolsonaro parecia disposto a recuperar o tempo perdido em suas bravatas.

Após ameaçar de censura ou extinção da Ancine (Agência Nacional de Cinema), de afirmar que a fome no Brasil era uma mentira – e em seguida dizer que alguns até poderiam passar fome – e de chamar os  nordestinos de “paraíbas”, o atual presidente resolveu dizer, durante um café da manhã com correspondentes estrangeiros, que a jornalista Miriam Leitão inventara os episódios de tortura que sofrera durante a ditadura militar e que ela havia participado da luta guerrilheira armada.

Recentemente, a jornalista teve cancelada a sua participação na 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul por conta da falta de garantira à sua segurança, assim como de seu companheiro, após mobilização de protesto promovida por bolsonaristas.

Conforme nota da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) divulgada nesta sexta-feira (19), essa “não é a primeira vez que Bolsonaro cita falsidades para desqualificar e agredir jornalistas cujos trabalhos o desagradam”.

Patologia nas fake news

Outro episódio foi quando o atual presidente foi ao Twitter para endossar uma mentira propagada pelo site Terça Livre, que reúne ativistas conservadores e bolsonaristas, sobre uma frase que teria sido dita pela repórter do Estado de S. Paulo, Constança Rezende, sobre “arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”.

De fato, desde seus tempos como deputado, Bolsonaro era notoriamente beligerante ao trabalho da imprensa, característica que se agravou durante sua campanha presidencial.

Confira abaixo a íntegra da nota de repúdio da Abraji:

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) repudia as acusações falsas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) contra a jornalista Miriam Leitão. Segundo reportagem do jornal O Globo, durante café da manhã com correspondentes estrangeiros, nesta sexta-feira (19.jul.2019), Bolsonaro chamou de “drama mentiroso” o relato de Miriam a respeito das torturas e abusos que sofreu quando foi presa em 1972 pela ditadura militar.

O presidente usou desinformação para acusar a jornalista de ter tentado “impor a ditadura no Brasil na luta armada”, afirmando que ela foi detida quando se dirigia à guerrilha do Araguaia (movimento armado de oposição à ditadura militar). Miriam nunca fez parte da guerrilha, e sua prisão aconteceu quando ela ia à praia com o então companheiro. Militante do PCdoB à época, Miriam participava de reuniões, distribuía panfletos e pichava palavras de ordem contra a ditadura em muros. Grávida, ela foi torturada e ficou presa por três meses.

Não é a primeira vez que Bolsonaro cita falsidades para desqualificar e agredir jornalistas cujos trabalhos o desagradam. As consequências para a liberdade de expressão e para a segurança de profissionais da imprensa são graves, como mostra o recente cancelamento da participação de Miriam e de seu marido Sergio Abranches na 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul. Os organizadores disseram que não teriam como garantir a segurança de ambos após mobilização de protesto promovida por um simpatizante do presidente. 

A Abraji manifesta solidariedade a Miriam Leitão e a todos os jornalistas que são alvo de ataques por fazer seus trabalhos.

Diretoria da Abraji, 19 de julho de 2019.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum