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21 de janeiro de 2020, 18h07

Advogados de Glenn Greenwald dizem que denúncia do MP é “expediente tosco”

Defesa do jornalista informou que prepara medida judicial contra o ato do MP

Foto: Reprodução

Em nota remetida à imprensa na tarde desta terça-feira (21), os advogados de Glenn Greenwald, Rafael Borges e Rafael Fagundes, classificaram a denúncia do procurador Wellington Oliveira, pró-Moro, contra o editor do The Intercept Brasil, como um “expediente tosco que visa desrespeitar a autoridade da medida cautelar concedida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 601, do Supremo Tribunal Federal”, em referência à liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes que proíbe autoridades públicas de praticarem “atos que visem à responsabilização do jornalista Glenn Greenwald pela recepção, obtenção ou transmissão de informações publicadas em veículos de mídia, ante a proteção do sigilo constitucional da fonte jornalística”.

“Seu objetivo é depreciar o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil em parceria com outros veículos da mídia nacional e estrangeira”, diz a nota.

A defesa de Glenn informou ainda que prepara uma medida judicial contra o ato do MP e anunciou que pedirá à Associação Brasileira de imprensa que “cerre fileiras em defesa do jornalista agredido”.

A denúncia 

O procurador Wellington Oliveira denunciou Glenn Greenwald, na Operação Spoofing, por 176 invasões de dispositivo informático e associação criminosa. Segundo o MPF, o jornalista auxiliou e orientou hackers durante o período das invasões. As mensagens de autoridades vazadas serviram de base para a série de reportagens Vaza Jato.

O editor do Intercept, no entanto, sequer foi alvo de investigação da Polícia Federal que, ao analisar as mesmas mensagens que basearam a denúncia do MP, inocentou Glenn. “Não é possível identificar a participação moral e material do jornalista Glenn Greenwald nos crimes investigados”, disse a PF em relatório.

Repercussão

Pelas redes sociais, diversas figuras da cena política criticaram a atuação do MP no episódio. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saiu em defesa de Glenn e disse que “jornalismo não é crime”. Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff também criticaram Oliveira e disseram que houve um atentado contra a liberdade de imprensa.

Posição do The Intercept

Em nota publicada nesta tarde, o The Intercept considerou que o MP adotou um papel “claramente político” e denunciou uma tentativa de cerceamento de liberdade de expressão. “Nós do Intercept vemos nessa ação uma tentativa de criminalizar não somente o nosso trabalho, mas de todo o jornalismo brasileiro. Não existe democracia sem jornalismo crítico e livre. A sociedade brasileira não pode aceitar abusos de poder como esse”, disse o veículo.

 

 

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