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25 de maio de 2020, 21h12

Após novos ataques de bolsonaristas, Globo e Folha tiram jornalistas do Alvorada

"São muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico", apontou o Grupo Globo

Foto: Reprodução

O Grupo Globo e a Folha de S. Paulo anunciaram na noite desta segunda-feira (25) que vão retirar seus correspondentes da entrada do Palácio do Alvorada após novos ataques promovidos por bolsonaristas a profissionais da imprensa.

Após o presidente Jair Bolsonaro declarar a jornalistas que “no dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo”, bolsonaristas decidiram partir pra cima de repórteres dentro da área restrita da imprensa.

Segundo o Grupo Globo, “são muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico”. “Estas agressões vêm crescendo”, disse a empresa em nota enviada ao Gabinete de Segurança Institucional.

“Assim informamos por meio desta que a partir de hoje nossos repórteres, que têm como incumbência cobrir o Palácio da Alvorada, não mais comparecerão àquele local na parte externa destinada à imprensa”, anunciou.

A Folha também publicou uma matéria anunciando a retirada dos correspondentes. Segundo o veículo o GSI foi informado da redução da segurança e dos ataques desta segunda-feira, mas ainda não se manifestou.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal condenou os novos ataques. “Repudiamos os novos ataques contra jornalistas ocorridos hoje no Palácio da Alvorada e na Esplanada dos Ministérios. A escalada de violência está diretamente relacionada com a postura de Bolsonaro contra a imprensa”, tuitou.

O jornalista Vicente Nunes, do Correio Braziliense, comentou ainda que o Correio já não coloca correspondentes no Alvorada há cerca de um mês. “Por questão de segurança, Correio já não tem repórter presencial no Palácio da Alvorada há pelo menos um mês. Cobertura é feita a distância, por meio de gravações. Nenhum jornalista merece passar pela humilhação diária estimulada pelo presidente Jair Bolsonaro”, tuitou.

Confira a nota divulgada pelo G1:

Ao cumprimentar V.Exa., trazemos ao conhecimento desse Gabinete uma questão que envolve a segurança da cobertura jornalística no Palácio da Alvorada. É público que o Senhor Presidente da República na saída, e muitas vezes no retorno ao Palácio, desce do carro e dá entrevistas bem como cumprimenta simpatizantes. Este fato fez vários meios de comunicação deslocarem para lá equipes de reportagem no intuito de fazer a cobertura.

Entretanto são muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico.

Estas agressões vêm crescendo.

Assim informamos por meio desta que a partir de hoje nossos repórteres, que têm como incumbência cobrir o Palácio da Alvorada, não mais comparecerão àquele local na parte externa destinada à imprensa.

Com a responsabilidade que temos com nossos colaboradores, e não havendo segurança para o trabalho, tivemos que tomar essa decisão.

Respeitosamente,

Paulo Tonet Camargo

Vice-Presidente de Relações Institucionais

Grupo Globo


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