Fórumcast #20
18 de julho de 2019, 13h59

Atriz e influenciadora digital, Ana Clara Paim compara fim dos likes no Instagram à abolição da escravatura

Junto com a imagem publicada, que simula uma lápide com o dia de ontem e a data da assinatura da Lei Áurea - que oficializou o fim da escravidão no Brasil -, a apresentadora escreveu um texto em que diz que se sente "liberta"

A blogueira Ana Clara Paim (Reprodução/Facebook)

Apresentadora do programa No Balaio, da TV Anhanguera, atriz, escritora e influenciadora digital com mais de 230 mil seguidores, Ana Clara Paim comparou nesta quarta-feira (17) o fim das curtidas no Instagram ao fim da escravidão.

Junto com a imagem publicada, que simula uma lápide com o dia de ontem e a data da assinatura da Lei Áurea – que oficializou o fim da escravidão no Brasil -, a apresentadora escreveu um texto em que diz que se sente “liberta”. “Não dá pra negar como me sinto: liberta! Quantas vezes você já verificou a mesma postagem mais de uma vez pra ver quantos corações havia recebido?”, escreveu.

A artista, que ficou conhecida na Internet ao divulgar suas crônicas sobre relacionamentos em seu antigo blog “Depois dos 19”, ainda diz que “o fato, é que do mesmo jeito que dizem que “mulher se veste pra outra mulher”, nós, postamos pros outros”.

“Quem verdadeiramente somos. Esse é o intuito inicial de qualquer rede social. Captar a sua essência através do seu conteúdo espontâneo. Se gostarem de você, maravilha, sua popularidade veio com a sua autenticidade. Mas nós, humanos, estragamos tudo. Descoberto isso, a autenticidade virou pré-requisito, a personalidade é elaborada e a necessidade por aceitação é unânime. Logo, não postamos mais nossa essência e sim o que outras pessoas gostariam de ver. Inverteu a porra toda. O que era pra ser um meio de expressão, virou uma prisão em série”, filosofa Ana Clara na publicação, que recebeu mais de 18 mil coraçõezinhos até a publicação desta reportagem.

Veja também:  Cronologia do caso Itaipu: o que aconteceu até aqui e como Bolsonaro foi envolvido no escândalo

Confira o post de Ana Clara Paim

View this post on Instagram

Não sei se é irônico quem estar escrevendo isso ser alguém que trabalha com rede social ou se justamente por isso é que faz total sentido. O sumiço das curtidas no Instagram foi alvo de muito debate entre eu e meus amigos que também trabalham com o aplicativo! Fatos são indiscutíveis. Números são fatos? Sim. Sentimentos também são. Não dá pra negar como me sinto: liberta! Quantas vezes você já verificou a mesma postagem mais de uma vez pra ver quantos corações havia recebido? Eu boto minha mão no fogo que todo mundo, já ficou feliz por um post ter alcançado um número legal de curtidas e também já se perguntou o por quê outro não deu tanto assim. O fato, é que do mesmo jeito que dizem que “mulher se veste pra outra mulher”, nós, postamos pros outros. Senão, um álbum de fotos e um caderno pra ser feito de diário nos satisfaria. Mas não, a gente quer se expor. Quer ter um nome. Uma imagem. Ótimo. Mas então vamos postar o que nos dá vontade, né? Quem verdadeiramente somos. Esse é o intuito inicial de qualquer rede social. Captar a sua essência através do seu conteúdo espontâneo. Se gostarem de você, maravilha, sua popularidade veio com a sua autenticidade. Mas nós, humanos, estragamos tudo. Descoberto isso, a autenticidade virou pré-requisito, a personalidade é elaborada e a necessidade por aceitação é unânime. Logo, não postamos mais nossa essência e sim o que outras pessoas gostariam de ver. Inverteu a porra toda. O que era pra ser um meio de expressão, virou uma prisão em série. Deixamos nossos adolescentes acreditando que precisam ter corpos e famílias perfeitas pra se encaixarem no mundo. Deixamos pessoas anoréxicas em busca de aceitação. Estragamos valores, fodemos nossas crianças, e o que era pra fornecer liberdade só nos trouxe de volta à escravidão. Conteúdo espontâneo de volta, e tudo que for exposto, que seja de coração. A humanidade agradece.

A post shared by Ana Clara Paim (@anaclara.paim) on


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum