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31 de julho de 2018, 14h45

Augusto Nunes denuncia pressão política sobre o Roda Viva

Na opinião de Nunes, o conselho do Roda Viva usa programa como palanque político para seus amigos e revela pressão na escolha de entrevistados e entrevistadores

Divulgação/TV Cultura

O jornalista Augusto Nunes, âncora do Roda Viva até março de 2018, revela que a pressão política sobre o programa foi responsável pela decisão dele em não renovar o contrato com a TV Cultura. Segundo Nunes, o conselho curador forçava nomes tanto dos entrevistados quanto dos entrevistadores. Em entrevista ao Pingue -Pongue com Marcelo Bonfá, nesta segunda-feira (30),Nunes contou que “havia uma pressão para que a gente começasse a convidar políticos amigos dos conselheiros”, conta.

Nunes diz que jamais interferiu no processo de escolha dos entrevistadores: “Só queria jornalistas independentes, que formulassem perguntas objetivas. Mas eles (conselheiros)] começaram a sugerir nomes, a fazer pressão”. Para Nunes, a pressão acontecia porque “o conselho da Cultura tem um bando de gente que passa o dia por lá. Porque eles são aposentados, têm tempo de sobra, ficam ali só fazendo fofoca”, alfineta ele.

Incomodado, Nunes decidiu procurar o presidente da Cultura, Marcos Mendonça: ‘Quero saber como vai ser esse ano’. Questionei se o jornalismo ia voltar a ter controle sobre o Roda Viva ou se essa pressão ia continuar. [E Mendonça disse:] ‘Olha, esse ano é eleitoral, eu devo dizer que vai piorar”, lembra ele.

A pressão, realmente, aumentou. Nunes diz que foi forçado a fazer entrevistas com alguns políticos. “Falavam: ‘Tem que chamar o ministro da Educação [José Mendonça Filho], o das Comunicações [Gilberto Kassab], o da Saúde [Ricardo Barros]’. [Eu argumentava:] ‘Mas nós já chamamos, eles vieram aqui quando assumiram’. Na opinião de Nunes, o conselho do Roda Viva usa programa como palanque político para seus amigos.

Por outro lado, alguns conselheiros diziam que o programa não convidava gente que não era de esquerda. O Lula e a Dilma [Rousseff], por exemplo, eu convidava todo mês. Convidei durante anos, eles nunca quiseram ir”, recorda. Com pressão por todos os lados, Nunes decidiu sair: “Não quero mais, não. Topo fazer as entrevistas com os ministros, mas minha última data eu quero para mim”. Em seu último programa, em março, ele convidou o juiz Sérgio Moro para a sabatina.

De acordo com Nunes, ele saiu na hora certa e “se livrou de pressões que nunca tolerou”. Na despedida do Roda Viva, mandou um recado: “Espero que o programa continue seguindo a rota do jornalismo independente. Porque é uma rota perigosa, mas é a única que leva a um bom porto. Se o Roda Viva seguir, ele sobrevive; senão, ele morre”.

Confira a primeira parte da entrevista com Nunes:


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