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15 de dezembro de 2017, 19h35

Autoritarismo e perseguição de diretor marcam demissões de professores da Faculdade Cásper Líbero

Onze professores, incluindo o vice-diretor da Faculdade Cásper Líbero, uma das mais importantes faculdades de comunicação do país, foram demitidos de forma arbitrária e autoritária esta semana. Docentes denunciam perseguição política e humilhações do diretor Carlos Costa

Por Redação

Alunos, professores e comunicadores foram surpreendidos, na noite desta quinta-feira (13), coma notícia da demissão de onze professores altamente qualificados da Faculdade Cásper Líbero, considerada a melhor faculdade de comunicação do país. O vice-diretor da instituição, Roberto Chiachiri, está entre os demitidos.

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O corte dos docentes vem em meio a uma crescente onda de autoritarismo que vem sendo denunciada pela comunidade acadêmica desde que o professor Carlos Costa assumiu a direção da faculdade, no início de 2015.

Pelo Facebook, alguns dos professores demitidos e o ex-vice-diretor se pronunciaram denunciando a arbitrariedade de suas demissões.

“Um terceiro e último sentimento é o de repúdio à Mediocridade, à podre baixa pobre nojenta luta pelo poder”, escreveu Dimas Künsch, que estava há mais de uma década na instituição e era professor da graduação e da pós-graduação.

Roberto Chiachiri, que era vice-diretor e foi eleito com o voto de professores e representantes de alunos, reforçou à reportagem da Fórum que as demissões não foram motivadas por uma suposta crise financeira que vem acometendo outras universidades e nem mesmo pelo desempenho dos docentes. Para ele, é claro o caráter político dos cortes, tendo em vista que os professores demitidos, segundo ele, já vinham sofrendo perseguição do diretor Carlos Costa. De acordo com Chiachiri, até seu cargo de vice-diretor foi menosprezado.

“É caráter político mesmo. O Carlos Costa é centralizador, é um diretor que há muito tempo vem deixando o vice-diretor, que era eu, de lado, sem tomar as decisões, humilhando… É uma pessoa autoritária. Em todas as reuniões com professores e coordenadores ele se exaltava muito, batia na mesa, gritava, xingava”, revelou.

Esse autoritarismo praticado pelo diretor, de acordo com Chiachiri, criava uma pressão psicológica sobre os docente. Uma das professoras demitidas, inclusive, denunciou no departamento de Recursos Humanos da instituição o assédio moral que teria sofrido de Carlos Costa.

De acordo com o ex-vice-diretor, que trabalhava há quase 14 anos na Cásper Líbero, o diretor falta com transparência para com os estudantes e os próprios professores ao não deixar claro o motivo de suas demissões. Entre justificativas de má avaliação de desempenho dos professores – o que Chiachiri garante que é mentira, já que tem as cópias das avaliações – e críticas como a que fez ao professor Dimas Künsch de que “não tinha produção” – informação também negada por professores e estudantes -, o diretor maquiou a verdadeira motivação dos cortes que, para Chiachiri, é a sua insegurança com relação à produção acadêmica dos docentes que se destacam mais que ele.

“Há uma perseguição sim aqueles que se destacam mais que ele. Me parece uma insegurança devido à mediana e medíocre produção dele no mundo acadêmico”, afirmou o ex-vice-diretor, citando os convênios que criou com universidades estrangeiras que o fizeram ganhar destaque.

“O que gostaríamos é que houvesse uma retratação e deixasse transparente para os alunos o motivo pelo qual fomos demitidos. Há uma construção de mentiras para justificar nossa demissão”, pontuou.

Confira, abaixo, depoimentos de alguns dos professores demitidos.

Dimas Künsch: FOMOS DESPEDIDOS, FERIDOS, MAS NÃO DERROTADOS! OBRIGADO A TODOS!

Passei o dia me emocionando com mensagens de apoio e solidariedade, algumas de surpresa e até de raiva, de colegas professores, ex-alunos, ex-orientados, familiares, amigos. Confesso que aguardei as manifestações dos colegas Cilene Victor e Roberto Chiachiri, com os quais na tarde de ontem pude dividir mais um abraço, irmanados desta vez na sorte comum de termos sido despedidos pela Direção da Cásper Líbero. Estava curioso, vencida a emoção do momento, por descobrir o que de mais profundamente nos une nesta nossa condição de professores despedidos. Acho que descobri algumas coisas: acreditamos que ser professores vale a pena, que há muito amor, garra e sentido social, político e cidadão no que fazemos. Somos gratos, imensamente gratos a tantos alunos e professores com quem pudemos dividir esses sentimentos no tempo que nos foi permitido trabalhar na Cásper Líbero – 14 anos, no meu caso como no do Roberto. Um segundo sentimento dos melhores é o de gratidão pela Cásper Líbero, onde pudemos entre acertos e erros experimentar na prática a vivência desses valores. Sim, sou muito grato à Cásper Líbero, por tanta coisa. Tanta gente cujos nomes gostaria de escrever com letras maiúsculas, desde os bedéis, os funcionários, o pessoal das secretarias…. Um terceiro e último sentimento é o de repúdio à Mediocridade, à podre baixa pobre nojenta luta pelo poder. Poderíamos como Erasmo escrever um Elogio à Loucura, jamais à Mediocridade, porque esta, queridos, é pessoal e socialmente construída. Assim, tudo somado, estamos meio tristes e meio alegres. Vai ver que a gente tenha até mesmo que agradecer a quem, no mais alto culto à Mediocridade, em sua pobre vida triste de sorrisos raros e com seu minúsculo clã de vidas igualmente medíocres e tristes, torpes tanto quanto, decidiu que tínhamos que compartilhar o destino de tantos colegas professores que neste Brasil com o qual nunca sonhamos estão sendo mandados pro olho da rua. Pensando bem, Cilene e Roberto, acho que devemos mesmo agradecer a todo mundo. Sentiremos uma saudade desgraçada, não é mesmo?


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