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01 de novembro de 2019, 15h39

Bolsonaro ataca jornalistas ao menos duas vezes por semana

O presidente fez 99 ataques a jornalistas e a meios de comunicação desde 1º de janeiro, segundo levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas

Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (1º) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o presidente Jair Bolsonaro direciona ataques a jornalistas e a veículos de imprensa ao menos duas vezes por semana. De 1º de janeiro a 31 de outubro foram 99 ocorrências de atitudes que visam deslegitimar o trabalho jornalístico.

O estudo foi divulgado um dia antes do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, marcado no 2 de novembro e “se refere a dados coletados com base em todas as postagens de Bolsonaro no microblog twitter e no facebook este ano (as contas são sincronizadas), além das transcrições dos discursos e entrevistas oficiais, que constam no site do Palácio do Planalto”. Segundo a Fenaj, a organização divulgará um balanço mês a mês a partir de novembro.

A entidade destaca a importância da atuação jornalística para a manutenção de um espaço público democrático. “A Fenaj e todas as instituições que prezam pela democracia não podem aceitar a institucionalização da violência contra jornalistas e das ameaças à liberdade de imprensa como prática de um governo”, afirma a presidenta da associação, Maria José Braga.

Os meses de julho e agosto foram os mais críticos na relação entre Bolsonaro e a mídia, com 39 registros. No período, o desmatamento e as queimadas na região amazônica chegaram a índices alarmantes e o presidente adotou uma forte retórica de ataque aos meios de comunicação.

Ataques

“A forma como o presidente se refere ao trabalho dos jornalistas e à publicação de conteúdo informativo pela imprensa contém expressões com questionamento da veracidade, atribuindo às instituições o papel de adversárias, conclama para que a população não acredite nas notícias, ataca profissionais jornalistas chamando de “idiota”, afirmando que cometem ‘excessos’. Bolsonaro também afirma reiteradas vezes que a imprensa ‘esculacha’, ‘massacra”, ‘acusa’, ‘está na oposição’, ‘que tem lado’, ‘presta desserviço’, que ‘publica mentiras'”, relata ainda a Fenaj.

Márcio Garoni, diretor da federação, pontua que a violência contra jornalistas aumentou em meio aos ataques do presidente. “Percebemos que o discurso que coloca jornalistas como adversários tem impacto na segurança de todos os profissionais, seja na cobertura de assuntos do dia a dia, quando estão sujeitos a intimidações e a violência física, seja no ambiente digital, quando jornalistas têm seus perfis nas redes sociais expostos e começam a sofrer diversos ataques, xingamentos, ameaças e exposição de informações pessoais, como endereço residencial e fotos da família”, disse.

Confira o estudo


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