O que o brasileiro pensa?
26 de maio de 2020, 08h52

Em editorial, Estadão afirma que Lula e Bolsonaro “se associam na mais absoluta falta de escrúpulos”

Jornal que considerou em editorial, em 2018, ser “uma escolha difícil” Haddad e Bolsonaro, afirma agora que o atual presidente e “Lula são o resultado mais vistoso da degradação violenta da atividade política”

Lula e Bolsonaro. Foto: Montagem

O jornal O Estado de S.Paulo publicou editorial, nesta terça-feira (26), com o título “Nascidos um para o outro”, onde compara o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ). No texto, o jornal afirma que “tanto o presidente da República como o chefão petista se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar”.

De acordo com o texto, os dois “enxergam o mundo e seu papel nele da mesmíssima perspectiva. Tudo o que fazem diz respeito exclusivamente a seus projetos de poder, nos quais o Estado e o povo deixam de ser o fim último da atividade política e passam a ser meros veículos de suas aspirações totalitárias”.

Para defender a tese, o jornal compara frase de Lula onde ele diz: “ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução, somente o Estado pode resolver isso”, com o “e dai?” de Bolsonaro e a piada com a Tubaína: “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína”.

O jornal só esquece, no entanto, de dizer que ao contrário de Lula, que pediu desculpas pela “frase infeliz”, Bolsonaro reitera diariamente sua postura.

O Estadão parece esquecer também, ao fazer a comparação, que o governo Lula foi o responsável por uma grande inclusão social no país reconhecida em todo o planeta, enquanto Bolsonaro, ao contrário, desde o primeiro dia de seu governo trabalha para acentuar desigualdades.

Com isto, afirma de maneira injusta e desconectada da realidade que “Bolsonaro e Lula são o resultado mais vistoso da degradação violenta da atividade política, aquela que, na concepção de Maquiavel, deveria almejar a todo custo o bem coletivo”.

Ao final, o próprio jornal que disse em editorial na véspera do segundo turno de 2018 ser “uma escolha difícil” o voto entre o então candidato Fernando Haddad e o deputado federal Jair Bolsonaro, afirma agora que o bolsonarismo é um monstrengo antidemocrático que só ganhou vida e ribalta por obra e graça do lulopetismo.

A escolha difícil, no entanto, tinha, de um lado, o ex-ministro da Educação mais bem avaliado, de acordo com o Datafolha, de um governo (o de Lula) que deixou a Presidência com 83% de ótimo e bom, conforme o mesmo instituto.

Do outro, um obscuro e destemperado deputado. Um sujeito capaz de disparar impropérios de toda a ordem a colegas, sobretudo mulheres, exaltar torturadores e a ditadura militar. Um ser abjeto  e sem precedência no primeiro escalão da vida pública brasileira que, de acordo com o próprio Estadão, passou 26 anos no Congresso e só aprovou dois projetos.

O editorial do Estadão comparando Lula a Bolsonaro é mais um desses textos que, assim como o apoio que deu à ditadura, pelo qual o jornal já se desculpou, fará a história, mais uma vez, corar.


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