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22 de dezembro de 2019, 08h09

Folha de S. Paulo e O Globo publicam editoriais que arrasam governo Bolsonaro

Meio ambiente a cultura foram os principais alvos das críticas dos jornais neste domingo

Jair Bolsonaro - Foto: Reprodução/Twitter

A Folha de S. Paulo e O Globo publicaram, neste domingo (22), editoriais com duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro. A Folha aponta o presidente como inimigo da Amazônia e do meio ambiente de forma geral, o que é prejudicial aos interesses econômicos do Brasil.

“O governo Jair Bolsonaro tinha meros 25 dias no poder quando se deflagrou a maior tragédia ambiental do Brasil. Barragem da mineradora Vale se liquefez em Brumadinho (MG) e levantou um tsunami de rejeitos que matou 270 pessoas. Bolsonaro e equipe fizeram mais que prostrar-se, entretanto. Capitanearam os esforços para afrouxar as normas do licenciamento, sob pretexto de desburocratizá-las (coisa de que por certo necessitam). Só não se consumou retrocesso completo porque o Congresso chamou para si a negociação e exerceu um poder moderador”, diz a Folha.

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Em relação à Amazônia, o editorial afirma que “o desgoverno ambiental já se tornava tema de conhecimento no mundo em agosto e setembro, na estação seca, com a explosão das queimadas que se seguem ao corte”.

“Com tal sequência de desmandos, a área ambiental responde, até aqui, pelos danos mais palpáveis infligidos pelo bolsonarismo ao país. A alta de 29,5% no desmate da Amazônia junta números às declarações e ações desastradas do governo, com perda devastadora também para a imagem do país”, completa o editorial.

Cultura

O jornal O Globo abordou a destruição provocada por Jair Bolsonaro na Cultura, setor cujo feito mais famoso foi a agressão do secretário Roberto Alvim à atriz Fernanda Montenegro.

“É preciso destruir, desmontar as cadeias de produção artística e cultural, apagar qualquer marca, qualquer registro do passado. O mesmo desejo autoritário de reescrever a História observado em diversas épocas no mundo em vários países”, diz.

“Bolsonaro tem o mesmo DNA da ditadura, mas seu ataque institucional à cultura e a artistas, na democracia, ultrapassa limites até mesmo respeitados naqueles tempos. A sanha contra a produção artística apareceu na limitação à Lei Rouanet. Depois, houve uma atenuação para não alijar de vez os musicais do teatro brasileiro. Mas a semana acabou ainda com incertezas sobre a revisão das regras. O certo é que reduzir aporte incentivado de empresas a projetos de produção artística se traduz em menos emprego e menos renda em uma ampla linha de produção”, afirma o texto.

“Há uma lógica destrutiva nos movimentos bolsonaristas contra a arte e a cultura, seja em palavras e atos. Talvez em busca de repercussão nas redes sociais, a favor ou contra, não se mede o alcance de declarações e de ações estapafúrdias. Na agressão gratuita à atriz Fernanda Montenegro pelo diretor da Funarte Roberto Alvim — ‘sórdida’, ‘mentirosa’ — ou no acionamento da embaixada brasileira em Montevidéu para retirar um filme sobre Chico Buarque do 8º Festival de Cinema do Brasil, na capital uruguaia. Não teve sucesso, mas a iniciativa não pode ser esquecida”, acrescenta.

Assista à análise de Renato Rovai, editor da Fórum:


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