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31 de outubro de 2019, 19h43

Folha diz que Bolsonaro mentiu e critica decisão de cancelar assinaturas

"Bolsonaro deu uma declaração falsa ao dizer que o jornal publicou palavrões na entrevista e que o conteúdo das declarações foi todo distorcido", escreveu o jornal

Bolsonaro (Foto: Agência Brasil)

Folha de São Paulo respondeu ao anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (31) de que iria cancelar todas as assinaturas do veículo feitas pelo Governo Federal. Segundo o jornal, Bolsonaro mentiu ao dizer que a Folha publicou palavrões dito por ele e pode judicializar o caso.

Em nota divulgada nesta tarde, a Folha disse que “lamenta mais uma atitude abertamente discriminatória do presidente da República contra o jornal e vai continuar fazendo, em relação a seu governo, o jornalismo crítico e apartidário que a caracteriza e que praticou em relação a todos os outros governos”.

O anúncio foi feito por Bolsonaro em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, no ‘Brasil Urgente’, da Band. O presidente disse que a Folha apenas “envenena o governo”. Questionado pelo apresentador se isso não seria uma forma de censura, Bolsonaro negou e disse que quem quiser pode comprar o periódico nas bancas de jornal.

O advogado do jornal, Luiz Francisco Carvalho Filho, disse que “se confirmada, a decisão de Bolsonaro configura uma violação dos princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade na administração pública”.

Informação falsa

Folha ainda rebateu uma declaração dada pelo presidente durante a entrevista de que o jornal teria publicado, sem a autorização dele, palavrões ditos por ele em café da manhã. “Bolsonaro deu uma declaração falsa ao dizer que o jornal publicou palavrões na entrevista e que o conteúdo das declarações foi todo distorcido —reclamação que ele não havia feito quando a reportagem foi publicada”, diz o periódico. A matéria foi para o ar em 4 de setembro.

Confira a nota na íntegra:

“A Folha lamenta mais uma atitude abertamente discriminatória do presidente da República contra o jornal e vai seguir fazendo, em relação a seu governo, o jornalismo crítico e apartidário que a caracteriza e que praticou em relação a todos os governos. A entrevista mencionada pelo presidente reflete de maneira correta o conteúdo de suas declarações. Ela foi produzida a partir de uma conversa inicialmente feita off the records (não destinada à publicação, no jargão jornalístico). Ao final da conversa, Bolsonaro autorizou que a Folha publicasse suas declarações, evitando reproduzir os palavrões pronunciados por ele. O jornal respeitou o pedido, ao contrário do que o presidente afirma agora.”


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