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20 de fevereiro de 2020, 06h26

Globo censura clipe de música que mostra placa de Marielle por “viés político”

Assista ao clipe de Ladra do Lugar de Fala, interpretada por Alessi, que coloca placa de Marielle na rua da casa de Wilson Witzel e fala do fascismo como nova face do racismo

A cantora Alessi no clipe Ladra no Lugar de Fala, censurado pela Globo por "viés político" (Reprodução)

A Globo censurou por “viés político” o clipe da música Ladra do Lugar de Fala, da cantora Alessi, que seria exibido no Canal Bis, uma das emissoras da rede na TV paga. Para ilustrar a letra, que fala sobre o racismo nos tempos atuais, o clipe colocou uma placa em homenagem a Marielle Franco na rua onde o governador Wilson Witzel (PSC) mora, no Rio de Janeiro.

A composição de Thiago Amud, que ganha potência na voz de Alessi, fala de uma “alforria lavrada só de brincadeira”, remete ao papel de resistência que o samba teve no início do século XX e ironiza o conservadorismo facista dos dias atuais.

“Vem cá/ Me dá um beijo, meu fascista preferido/ Vem cá/ Me dá um beijo, meu feitor, meu inimigo/ Que eu quero ver o mundo velho se acabar/ De tanto não saber amar”, diz um dos versos da letra.

Leia a letra de Ladra no Lugar de Fala e assista ao clipe de Alessi censurado pela Globo

LADRA DO LUGAR DE FALA
(Thiago Amud)

Eu sou
Eu sou a ladra do lugar de fala
Da ladra do lugar de fala
Da preta preta suburbana
Mana barraqueira

Eu fui
A voz do samba, não serei sua cloaca
Lá vai um bloco deitado na maca
Atravessando a Lapa
Na manhã da quarta-feira

Vem cá
Me dá um beijo, meu fascista preferido
Vem cá
Me dá um beijo, meu feitor, meu inimigo
Que eu quero ver o mundo velho se acabar
De tanto não saber amar

Eu sou
Eu sou quem lacra quem me simulacra
Pra me perpetuar escrava
De sua alforria lavrada só de brincadeira

Eu fui
A voz do bamba, não serei sua mordaça
Tem branca insossa arrumando arruaça
Mas eu não sou dessas
É outra a minha bandeira

Por que
Sinto saudade tão doída do futuro?
Por que
Sinto vontade de escutar a voz do mudo?
Acho que espero um novo samba se ouriçar
Na hora em que Zambi voltar

Eu sou
Eu sou Dandara e fui psicografada
Por um branco um pouco pancada
Que rouba o meu lugar de fala
E me revela inteira
Eu sou
A flor da nova abolição
Na manhã brasileira

Com informações da coluna de Mônica Bergamo, na edição desta quinta-feira (20) da Folha de S.Paulo.


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