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02 de outubro de 2018, 10h16

Globo embarca na candidatura Bolsonaro para conter crescimento de Haddad

Mostrando-se pretensamente combativa nas últimas semanas, o Grupo Folha, da família Frias, também deu sinais que a artilharia agora se voltará contra o antigo inimigo.

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Em seu artigo diário no jornal O Globo, Merval Pereira, dá sinais do que se vê na na manhã desta terça-feira (2) na maioria dos veículos da grande mídia: embarcar de vez na candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) para conter o crescimento de Fernando Haddad.

“O fato é que a candidatura de Bolsonaro mostrou-se capaz de neutralizar as notícias ruins com mobilizações a favor dele grandes o suficiente, no domingo, para reafirmar sua posição de liderança”, escreve Merval, após tecer destilar críticas ao PT (?) por “utilizar a Justiça para validar uma jogada política”, referindo-se à censura imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à decisão do ministro Ricardo Lewandowski de autorizar entrevista do ex-presidente Lula à Folha de S.Paulo, à Rede Minas e ao jornal espanhol El País.

Merval, junto com Ali Kamel, é quem, por ordem da família Marinho, direciona a linha editorial que será seguida pelos veículos do conglomerado nas reuniões semanais do Conselho Editorial da Globo. O que se vê nas TVs, portais, rádios e opiniões dos articulistas do grupo é reflexo do que acontece nessas reuniões.

A pauta virou
Após uma avalanche de notícias com denúncias contra Bolsonaro, que inundaram a mídia na última semana, nesta terça-feira (2), como se diz no jargão jornalístico, a pauta virou.

O portal globo.com estampava um recorte da pesquisa Ibope, divulgada nesta segunda-feira (2): “Ibope: Bolsonaro cresce entre mulheres e Haddad lidera no NE”. No site do jornal O Globo, a manchete era repetida, sem citar o petista: “Bolsonaro cresce seis pontos entre as mulheres, mostra Ibope”.

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Nas páginas internas, Flavio Bolsonaro (PSL), filho de Bolsonaro candidato ao senado, aparece em uma foto ao lado do título: ‘Queremos mais armas nas mãos das pessoas de bem’, dado à sua entrevista ao jornal, em que pode inclusive falar sobre como irá “construir a governabilidade” em um suposto governo do pai. “Com base no relacionamento individual com os parlamentares. Não vai ter toma lá, dá cá ou compra de votos em troca de ministérios. O Parlamento que estiver lá vai ter que se adaptar”, respondeu, sem mais questionamentos.

Grupo Folha
Mostrando-se pretensamente combativa nas últimas semanas, o Grupo Folha, da família Frias, também deu sinais que a artilharia agora se voltará contra o antigo inimigo. Na manchete do portal UOL, a chamada busca criar rusgas no campo progressista, ao dizer que “Ciro mira redutos petistas e alerta sobre riscos de polarização“.

Na chamada logo abaixo, a repercussão da pesquisa Ibope: “em 5 dias, rejeição a Haddad sobe 11 pontos e vai a 38%“. E nem mesmo a censura à jornalista Mônica Bergamo, uma das autoras do pedido de entrevista de Lula que causou cisão no STF, é contestada, com a fria chamada: “Toffoli veta entrevista de Lula até julgamento pelo plenário do Supremo”.

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Na edição impressa, as reportagens desnudando Bolsonaro, publicadas na última semana, deram lugar a uma chamada “Direita avança nas periferias a reboque do conservadorismo da favela”, logo abaixo da foto que mostra um jovem com camisa de Bolsonaro na favela de Americanópolis, na capital paulista.

Última semana é guerra
Em seu “Balaio”, o jornalista Ricardo Kotscho, em artigo publicado nesta terça-feira (2), relembra as eleições de 1989, quando assessorou o então candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva. Com a experiência que tem – incluindo três campanhas presidenciais de Lula -, o jornalista dá o recado: “está na hora de Fernando Haddad mudar de postura nos debates, nas entrevistas e nos palanques, ao entrarmos nesta semana decisiva da eleição”.

Kotscho faz questão de recordar o que a mídia já sabe bem: “Agora não é mais apenas campanha eleitoral. É guerra, como aprendemos, apanhando, na última semana da disputa entre Lula e Collor, em 1989”.

Para o jornalista, a partir de agora, Haddad terá que deixar um pouco de lado seu perfil contemplativo e conciliador e partir para cima deles. “Tem que mostrar mais alma e coração do que cabeça e projetos, exatamente como Lula fazia, sem vergonha de pedir votos nem de demonstrar emoção”.


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