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21 de janeiro de 2020, 21h33

JN, da Globo, adota tom crítico ao MP e destaca que PF não indiciou Glenn

O apresentador William Bonner destacou que Glenn Greenwald "não foi investigado nem indiciado pela Polícia Federal"

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O Jornal Nacional, da TV Globo, desta terça-feira (21), adotou um tom crítico ao Ministério Público Federal ao reportar que o procurador Wellington Oliveira denunciou o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil.

O telejornal deu destaque ao fato da Polícia Federal não ter indiciado o jornalista quando teve acesso às mensagens obtidas pela Operação Spoofing, que investigou o vazamento de conversas entre procuradores e autoridades provocados por hackers. As mensagens serviram de base para a série de reportagens Vaza Jato.

“Entre os indiciados está Glenn Greenwald, que não foi investigado nem indiciado pela Polícia Federal”, disse Bonner na chamada da reportagem.

“Não é possível identificar a participação moral e material do jornalista Glenn Greenwald nos crimes investigados”, disse a PF em relatório, repercutido pela TV Globo. Mesmo assim, Glenn foi acusado pelo MP.

As declarações do jornalista foram repercutidas pelo noticiário. Em trecho de vídeo exibido pelo telejornal, Glenn diz que o procurador “está usando seu cargo para objetivos políticos”. A parte em que Glenn diz que ação “é obviamente uma retaliação pelo governo Bolsonaro” não foi exibida.

O JN ainda comentou sobre as críticas da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que disse que “jornalismo não é crime”, também foi destacada.

Repercussão

Pelas redes sociais, diversas figuras da cena política criticaram a atuação do MP no episódio. Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff também criticaram Oliveira e disseram que houve um atentado contra a liberdade de imprensa.

Posição do The Intercept

Em nota publicada nesta tarde, o The Intercept considerou que o MP adotou um papel “claramente político” e denunciou uma tentativa de cerceamento de liberdade de expressão. “Nós do Intercept vemos nessa ação uma tentativa de criminalizar não somente o nosso trabalho, mas de todo o jornalismo brasileiro. Não existe democracia sem jornalismo crítico e livre. A sociedade brasileira não pode aceitar abusos de poder como esse”, disse o veículo.

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