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31 de julho de 2019, 13h16

Jornalista da Globo que ganha R$ 7 milhões do Bradesco coloca em xeque imparcialidade; entenda os motivos

Em meio a discussões sobre a reforma da Previdência nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, De Nuccio protagonizou por dois anos, de forma secreta, vídeos da previdência privada oferecida pelo Banco.

Foto: Reprodução

O jornalista Dony De Nuccio, apresentador do Jornal Hoje, da TV Globo, rompeu o Código de Ética e Conduta do Grupo Globo ao assinar contrato com o Banco Bradesco para faturar R$ 7 milhões como garoto-propaganda da Bradesco Seguros. A posição do grupo é de que jornalistas da emissora não podem atuar nesse ramo por comprometer a isenção jornalística.

Em meio a discussões sobre a reforma da Previdência nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, De Nuccio protagonizou por dois anos, de forma secreta, vídeos da previdência privada oferecida pelo Banco. A Globo alega que apenas soube da atuação do âncora quando o portal Notícias da TV revelou trechos de gravações com a participação dele.

“Pois é, mais uma vez a Bradesco Vida e Previdência sai na frente e lança um novo plano de Previdência Privada que traz muito mais facilidade para nossos clientes”, diz o apresentador em um dos materiais. Ao comentar o caso, a TV Globo avaliou que “não houve má-fé por parte de Dony De Nuccio. Mas afirmou a ele que as regras existem, entre outras razões, para evitar que jornalistas sejam questionados e tenham que dar esclarecimentos tão detalhados à imprensa”.

Em matéria de isenção jornalística, o contrato do jornalista com uma empresa terceira poderia gerar uma restrição na abordagem de notícias, principalmente em tópicos que envolvam os interesses da contratante. Isso sem negar que há orientações editoriais do Grupo Globo.

No caso específico, com a reforma da previdência em alta, o apresentador, comprometido com os interesses de seguradoras privadas, poderia tender a uma abordagem que favorecesse a esses grupos, tanto ao falar sobre a votação em si quanto em pautas relacionas, que certamente passam pelas seguradoras.

De uma certa forma isso poderia também ser entendido como um lobby das empresas para garantir que o jornalista em questão, âncora de um dos principais telejornais da emissora, não abordasse alguns assuntos de uma maneira contrária aos interesses do grupo contratante.

A Globo cobrou explicações e De Nuccio rompeu o contrato com a Bradesco Seguros e pediu a retirada dos matérias em que aparece. No Código de Ética da Globo aparece que “é vedado a qualquer Integrante usar a visibilidade ou o prestígio do Grupo Globo, assim como seu cargo ou função para influenciar alguém ou obter vantagem pessoal, seja patrimonial ou de outra natureza”.


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