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15 de março de 2018, 18h11

Lemann, homem mais rico do Brasil, corre o risco de se transformar em censor

O que poderia ser apenas uma propaganda ruim, que coloca em dúvida a própria qualidade da cerveja se torna ainda mais grave no contexto atual, em que a imprensa corporativa tenta controlar a necessária discussão sobre "fake news"

Foto: Kris Snibbe/Harvard

Por Brasil 247

Controlada pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, a Ambev decidiu patrocinar uma campanha sobre “fake news” na revista Veja, que foi condenada pela Justiça Eleitoral na última disputa presidencial justamente por publicar informações falsas; em seu anúncio, a Ambev banaliza a discussão, ao tratar como “fake news” uma mera opinião – a de que “cerveja com milho é cerveja ruim”; procurado pelo 247, o empresário afirmou que não comenta decisões das companhias em que investe e a Ambev se negou a responder sobre por que patrocina uma iniciativa que poderá se converter em censura contra meios de comunicação não alinhados ao golpe de 2016; “estamos atentos a esses movimentos e não vamos permitir a volta da censura”, diz o senador Roberto Requião (PMDB-PR), lembrando que Lemann tem interesse na compra da Eletrobrás; “será que ele pretende silenciar a imprensa?”

O manifesto contra “fake news” publicado neste fim de semana pela revista Veja – condenada na última eleição presidencial pela Justiça Eleitoral por publicar informações falsas (saiba mais aqui) – tem um curioso patrocinador: o bilionário Jorge Paulo Lemann, controlador da Ambev e homem mais rico do Brasil, com uma fortuna de aproximadamente R$ 90 bilhões. Por meio da cervejaria, Lemann patrocina a iniciativa com um anúncio de página dupla, em que banaliza a discussão, ao dizer que uma mera opinião – “cerveja com milho é cerveja ruim” – deve ser rotulada como “fake news”.

No entanto, o que poderia ser apenas uma propaganda ruim, que coloca em dúvida a própria qualidade da cerveja diante de muitos consumidores que não sabiam que os produtos da Ambev são feitos com milho, num veículo também notório por publicar notícias falsas, se torna ainda mais grave no contexto atual, em que a imprensa corporativa tenta controlar a necessária discussão sobre “fake news” para influenciar plataformas como Google e Facebook e promover censura. Além de seu manifesto, Veja também fará uma palestra com Pablo Ortellado, que se nega a falar sobre eventuais patrocínios privados relacionados às iniciativas das quais participa (leia mais aqui).

Procurada pelo 247, a Ambev se negou a comentar o caso, que pode, segundo especialistas, se converter em censura. “O objetivo dessa iniciativa é repetir algo que já foi feito nos Estados Unidos: pressionar plataformas tecnológicas como Google e Facebook a reduzir o alcance de veículos independentes, que poderão ser igualados aos extremistas de direita”, diz o jornalista Brian Mier, co-editor do Brazil Wire.

Também procurado pelo 247, Lemann se manifestou. “Nas companhias das quais somos acionistas, os acionistas nunca se pronunciam sobre assuntos das empresas. Isto é função dos executivos.  Ainda mais, numa empresa pública com milhares de acionistas”, afirmou. Os movimentos de Lemann, no entanto, vêm sendo acompanhados por parlamentares. “Estamos atentos movimentos e não vamos permitir a volta da censura”, diz o senador Roberto Requião (PMDB-PR), lembrando que Lemann tem interesse na compra da Eletrobrás. “Será que ele pretende silenciar a imprensa crítica à privatização?”


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