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11 de novembro de 2019, 12h37

Miriam Leitão: “O que aconteceu na Bolívia foi um golpe de estado”

Miriam aproveita para alfinetar a falta de profissionalismo da diplomacia de Jair Bolsonaro, que só mantém relações na região com a Colômbia "porque é um governo de direita"

Miriam Leitão e Bolsonaro (Reprodução)

Nem mesmo Miriam Leitão, uma das jornalistas da Globo que mais defendem as políticas neoliberais, encontrou palavras para definir o que houve na Bolívia. “O que aconteceu na Bolívia foi um golpe de estado”, declarou em artigo no jornal O Globo em que diz que a ação da extrema-direita no país deve afastar ainda mais os “investidores” da América Latina.

“A América Latina passa por uma sequência preocupante de eventos. A radicalização, a polarização no cenário político, as mortes em manifestações no Chile, tudo isso emite a informação de que a região voltou a ser o que era no passado. Instável, cheia de golpes de estado e militares no poder, com uma rotina de quebra de regras. Isso afasta investidores”, relata Miriam, ressaltando que até mesmo o neoliberal Chile deixou de ser exceção.

Embora declare reiteradas vezes durante o artigo que o que houve na Bolívia foi golpe, sim, a jornalista coloca sempre um “mas” na sequência para incluir medidas de Evo Morales nesta conta.

“O que aconteceu na Bolívia foi um golpe de estado. Uma renúncia, depois que militares mandam renunciar, não é uma saída normal. Por outro lado, Evo Morales desrespeitou a Constituição que ele mesmo promulgara, ao tentar um quarto mandato, após perder o referendo, e além disso a apuração teve várias irregularidades”, diz.

Miriam, no entanto, reconhece a transformação feita por Evo Morales no país.

“Foi um período de estabilidade econômica e política na Bolívia, um país marcado pelas trocas bruscas de governo. Na presidência, Evo integrou os índios ao cenário político, reduziu a pobreza, produziu um crescimento médio de 5% ao ano. Triplicou o PIB per capita. A melhora econômica não desculpa sua tentativa de continuísmo. O erro dele foi flertar com o caudilhismo. Evo não permitiu o surgimento de novas lideranças e achou que era o único capaz de presidir a Bolívia”, relata.

Brasil
Miriam aproveita para alfinetar a falta de profissionalismo da diplomacia de Jair Bolsonaro, que só mantém relações na região com a Colômbia “porque é um governo de direita”.

“Se o Brasil tivesse hoje um comando profissional da diplomacia, deveria convocar outros países da região para ajudar a transição. A Argentina seria fundamental nesse processo. Mas o Brasil hoje só tem diálogo com a Colômbia aqui na região porque é um governo de direita. O risco agora é de outro período de instabilidade autoritária”, finaliza.

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